Há alguém ideal para mim?

Todo ser humano, após a queda espiritual, sofre. Sofre porque houve um afastamento da relação direta, permanente e exclusiva com o Criador. Ficou um “buraco” espiritual em nossa alma, em nossa pessoa. Isso promoveu muitas outras desgraças e, em especial, a perturbação do relacionamento afetivo ideal na educação de filhos. Resultado: nunca mais houve infância normal, nunca mais houve crianças cem por cento normais. Todos, pretos, brancos, ricos, pobres, religiosos, não religiosos, temos carências afetivas. Uns mais, outros menos. Uns com consciência dela, outros com inconsciência. Trazemos essa carência para a vida adulta e tentamos resolvê-la, na maioria das vezes, inconscientemente, seja no trabalho, no casamento, no cuidado com os filhos (superproteção, dependência, etc.), no namoro, nas amizades, etc. Alguns, não suportando a dor dessa carência, se drogam. É importante dizer, a “droga” pode ser muita coisa, além do álcool, cocaína, heroína, tranqüilizantes, anfetaminas, etc. Ela pode ser o trabalho, o sexo, a comida, a estética corporal, o dinheiro e mesmo o “amor” (dependência afetiva). Numa relação conjugal é muito comum haver desavenças, desencontros, justamente porque cada um, marido e mulher, ao longo dos anos de convívio, pode não suportar o vazio interior que trouxe para dentro do casamento, acrescido de dificuldades que o cônjuge realmente possua (e que pode melhorar, ou não) e que produz frustração. Estes dois fatores (carências trazidas da infância e problemas afetivos próprios do relacionamento atual) produzem a dor. Se você colocar junto disto aquela dor originada do “buraco” espiritual, pode ficar algo bem doloroso, quase ou mesmo insuportável. Com isso, uma pessoa pode pensar em separação, em traição, pode ficar brigando o tempo todo no relacionamento conjugal sempre achando que é o outro o culpado de todo o sofrimento. Não consegue separar o que é sua dor, algo seu que o outro não tem nada a ver com isso, com o que é realmente fruto de problemas do casamento, solucionáveis ou não. Em verdade, esta separação não é fácil de ser percebida e identificada. Quando um casal, diante de sofrimentos conjugais (desânimo, perda do interesse sexual, perda do romance, da sensação de amor, etc.) não enxerga que há uma diferença entre problemas pessoais e os próprios do casal, a tendência é sempre culpar o outro como o único responsável pela sua dor e atacar, se isolar, trair, separar-se precipitadamente sem buscar uma solução. Quando há o que costumo chamar de “honestidade emocional” (sem ela não pode haver saúde mental para ninguém!), ou seja, a pessoa admitir que parte de sua dor pode ser mesmo algo muito pessoal e não culpa do cônjuge, existe possibilidade de melhora, de ajustamento, de felicidade, tanto internamente (ela com ela mesma), quanto externamente, ou seja, entre ela e o cônjuge. Mas e se a pessoa racionaliza (usa argumentos consigo mesma, muito parciais e injustos, às vezes, para justificar atitudes que toma na vida sem ser honesta emocionalmente, sem admitir toda a verdade) culpando somente o outro como causador da sua dor emocional, ela terá um longo caminho para conseguir ser feliz e ter paz interior. A racionalização que “justifica” determinada conduta pode até produzir temporária e superficialmente uma sensação de que o que ela faz está certo. Mas se trata de algo superficial porque na raiz a verdade é outra ou envolve outras questões que a pessoa, para acomodar-se na sua conduta, não quer considerar. Ela pode dizer (racionalizar) assim: “Já que essa pessoa me fez sofrer assim e assim, então eu parto para essa atitude ‘x’ ”. Só que essa atitude “x” é realizada sem a resolução adequada do problema que causava ou causa a dor emocional. Por isso, ela será de “solução” também temporária, porque a dor emocional não resolvida com honestidade emocional voltará, mais cedo ou mais tarde, e poderá ser mais dolorosa ainda, caso a pessoa não fuja de novo da verdade interior com novas racionalizações. Se ela faz isso, torna-se cada vez mais alienada. Um joguete nas mãos da sua própria mente confusa. Lidar com nossa dor emocional de frente, usando a verdade, sendo honesta, emocionalmente falando não é fácil. É muito mais fácil se “drogar” com os vários tipos de droga citados acima. Parece que dói menos. Mas, dói menos? Há alguém ideal para mim? Há alguém que possa preencher toda a minha necessidade afetiva nessa vida? Você pode se casar com uma pessoa que é ativa para trabalhar, que produz conforto material, segurança financeira, mas faltar manifestações afetivas diretas (não via “coisas”). Ou pode ter alguém que é muito afetivo, sensual, ótimo parceiro sexual, mas não consegue prover segurança material. Pode ter alguém que por um tempo parece preencher tudo o que você queria e desejava de um ser humano como cônjuge, mas em algum momento do relacionamento cada um vai precisar ser honesto afetivamente e deixar aparecer suas limitações como ser humano, que pode ser um gênio explosivo, um caráter controlador, manipulador, feliz e carinhoso quando há sexo, mas frio e irritado quando você quer carinho sem sexo, dependente de carinho tornando-se sufocante e controlador, etc. Em algum momento da vida, para ser feliz, cada ser humano precisa aprender a lidar com suas próprias limitações afetivas e comportamentais. Precisa entender que é parcial, não é deus, não pode ser tudo para o outro o tempo todo, não pode ter do outro tudo o que quer o tempo todo. Para algumas pessoas isso é muito insuportável, daí ela se droga, com droga mesmo, lícita ou ilícita, ou com o que escrevi acima. Se drogar neste sentido é como dizer para si mesmo: “Não aceito essa realidade. Não aceito que não posso ter tudo o que queria. Deve existir alguém que pode me dar tudo o que quero. Alguém perfeito. Ou algo perfeito que me faça sentir sempre para cima.” Parece que o caminho para a paz e a felicidade vai pela honestidade emocional, comportamental, espiritual. Ou seja, reconhecer que parte de meu “buraco” é algo meu mesmo e não culpa do cônjuge. Reconhecer também, que parte dessa dor pode ser realmente vinculada com uma frustração no relacionamento com meu cônjuge, mas que para solucioná-la preciso procurar caminhos construtivos de melhora. Se procuro um caminho destrutivo, como poderá melhorar minha dor? Não piorará até?! Por isso, estando casado com uma pessoa que não completa você, é importante perguntar-se: “Não completa em quê?” “Já falei sobre isso com ele (a)?” “Procurei soluções construtivas?” “Tive honestidade emocional dizendo a verdade da minha dor emocional, ou somente ataquei a outra pessoa por causa dessa minha dor me ‘esquecendo’ (ou nem considerando!) que ela não deveria ser toda jogada em cima do outro?” Enfim, há um bom caminho a ser percorrido na busca das verdades emocionais pessoais, individuais, para se ser feliz no casamento e, primeiro de tudo, ser feliz consigo mesmo. Se você se desvia desse caminho e procura – vou repetir – caminhos alternativos destrutivos, acumula dor, piora a dor, adia o ter de lidar com a dor que, inevitavelmente, temos um dia de encará-la. Que dor? A dor das perdas afetivas do passado anterior ao casamento e, algo mais profundo, a dor espiritual fruto do rompimento da relação ideal que havia com o Criador. Precisamos ter a coragem e a decisão de tomar o caminho construtivo. Nele há dor evidentemente, porque nossas fantasias de uma relação ideal desabam. O sexo acaba “enjoando” porque ele nunca substitui o afeto maduro e ético (seja numa relação conjugal ou extraconjugal). Sexo é a parte mais fácil de um relacionamento! A droga não mais produz aquele “barato” (ocorre a tolerância, ou seja, necessidade de maiores dosagens para produzir os mesmos efeitos, o que produz a destruição do organismo). O trabalho, usado como droga, cansa e esgota. E assim por diante. Mas a falência da relação ideal não é o mesmo que falência de uma possibilidade de um relacionamento marido-mulher agradável! Parece que é justamente o contrário! Ou seja, quando se pode lidar construtivamente com a perda do ideal é que o real pode se tornar bom, agradável e até feliz. O amor surge, apesar do não ideal. Ou será que o amor maduro entre um homem e uma mulher somente pode existir no Paraíso? Não creio nisso. Creio que um casal, vivendo um relacionamento ético, com honestidade afetiva, consciente de suas carências pessoais, pode aprender a ser feliz, a proporcionar um clima de paz e satisfação emocional entre ambos. Para se conseguir isso cada um precisará fazer todo o possível para manter a afetividade entre o casal. O amor precisa dominar. Não o sexo, não o dinheiro, não outros bens materiais, não a posse do outro, não a dependência doentia. Mas sim o amor, que significa respeito pelos limites do outro, manutenção de carinho verbalizado e físico (toques, sem necessariamente pender para o sexo), diálogo aberto e freqüente, respeito pelos sentimentos um do outro, saber ouvir, saber se calar quando o outro quer ficar quieto, saber participar com alegria de algo de que o outro gosta, e tantas outras coisas. Mas, acima de tudo, é preciso manter o afeto. Podemos manter o afeto gostoso quando desabamos da idealização. Porque o amor não está na idealização. Ficar na idealização impede você de fazer o que pode, porque você pode ficar tentando ser ou fazer o que não pode (pelo menos o tempo todo), o que o esgotará em algum momento (daí você vai mostrar seu lado não-ideal para o outro!) e produzirá raiva porque ocorrerá o mesmo com o outro! Ou seja, chegará o momento de aparecer no outro a realidade da limitação dele ser perfeito. A idealização é um sonho. E a pessoa que está com você, ao seu lado, é uma realidade. Tem virtudes e defeitos. Somos assim! Todos! Claro que alguns defeitos podem e precisam ser melhorados. Na busca dessa melhora pessoal, da auto-superação de nossos defeitos há que se percorrer o caminho construtivo aonde o amor pode brotar, passo a passo, momento após momento, e, assim, a afetividade pode ser mantida entre o casal. É essa afetividade que dá colorido à vida, ao casamento, e condições de se lidar com o não ideal, tanto seu, quanto do outro. Qualquer outro caminho é enganador, frustrante, e causa mais dor. Há alguém que é ideal para mim? Há sim! É aquela pessoa com quem você pode construir um relacionamento ético, fiel, honesto, com o compromisso de honestidade emocional como explicada anteriormente, relacionamento este no qual você prioriza a busca do crescimento espiritual e a manutenção da afetividade, apesar do fato de que nenhum vai ser ideal para o outro.

Vida a dois… Como funciona?

Imagino que ao se deparar com este título, você esteja curioso para compreender detalhes que possam ser esclarecedores sobre um assunto tão controvertido. Falando francamente, você também não achava que sabia tudo sobre casamento e vida a dois? Sim, nos tempos de namoro… Quando olhava para aquele par de olhos na sua frente… Quando imaginava um casamento belo, cheio de encantos, revestido de um significado solene… como se fosse o aspecto mais importante da vida!! Tão profundo foi esse sentimento, tão grande foi a convicção, que você decidiu deixar a segurança do lar de seus pais, a tranqüilidade de uma vida sem grandes responsabilidades e compromissos… para enfrentar os desafios de construir um lar. Mesmo sem o devido preparo, sem experiência, sem reservas financeiras, quem sabe até mesmo sem profissão. Você encarou os maiores obstáculos, superou as maiores adversidades para concretizar, aquilo que era tão claro diante dos seus olhos: a felicidade, por meio da união de duas vidas, pelo casamento. Para concretizar os planos a dois, você abriu mão de alguns privilégios individuais, deixou sua liberdade, para dividir a vida com alguém. Abriu mão de sua autonomia para pensar a dois. Mas, isso não foi sacrifício, foi um prazer. Aliás, você não considerou esses detalhes como perda, mas como investimento. Foi crescimento, maturidade, enobrecimento. O casamento aconteceu. Você se sentiu um vencedor! Sim, você conseguiu organizar o enxoval, comprar os móveis, um lugar para morar, organizar a cerimônia, cuidar dos detalhes da lua-de-mel,… e tudo isso, só para ter uma pessoa especial, ao seu lado, para sempre. Agora sim… você tem a sua vida, pode decidir seu próprio destino… pois tem consigo alguém que escolheu viver ao seu lado. Alguém que lhe corresponde no amor, que lhe compreende, que lhe é solidário, alguém que pensa em você, que busca agradá-lo. Alguém em quem sua mente se demora contemplando. Alguém que mexe tanto com o seu coração, a ponto de fazer de você um poeta. É tudo o que você sempre sonhou! E o sonho verdadeiramente se tornou realidade! Apesar das lutas e dificuldades enfrentadas, a vida era bela e cheia de encantos. Os problemas estavam só do lado de fora: no trabalho, nas circunstâncias externas, mas lá dentro muita compreensão, muito carinho, um relacionamento quase perfeito!! O tempo passou!… Hoje… bem, hoje as coisas estão um pouco diferentes. A vida nos ensinou coisas … os filhos chegaram … as responsabilidades aumentaram … muito trabalho … novas amizades… preferências pessoais… O que aconteceu? Será que o tempo fez desbotar o sonho? Onde está toda aquela alegria de estarem juntos? E o amor, tão forte e empolgante, que os movia com disposição e energia, para onde foi? Onde estão aquelas declarações de amor, aquelas atitudes carinhosas e expressões de afeto? E aquele sentimento de ser de alguém, de ter alguém … Será quê …?!.. Parece que o princípio da entropia, lei da física, está atuando nas relações humanas também. A segunda lei, da termodinâmica, expressa um “irreversível avanço para a desordem cada vez maior, um desgaste para a desintegração até a decomposição dos sistemas, à medida que o tempo passa.” Será que o princípio da entropia está também valendo para os relacionamentos afetivos? Murphy, em suas leis, diz que “se alguma coisa tem a mais remota possibilidade de dar errado, então dará.” Essa lei deveria valer na vida a dois? Parece verdade! Hoje só cobramos um do outro,… exigimos, impomos. Sofremos e fazemos sofrer. Cada um acalenta seus sonhos pessoais, vive em função de si… Chegamos ao ponto de negar aqueles planos e ideais que estabelecemos no início. Mas,… fazer o quê? Hoje cada um vive a sua vida, cada um corre atrás dos seus interesses, cuida de suas responsabilidades. Surgiram aspectos que desconhecíamos e jamais tínhamos pretendido,… vieram as cobranças, a necessidade de se proteger do outro… parece que somos inimigos! E agora? Bem, agora aqueles conceitos originais parecem obsoletos, inviáveis. Aquela expectativa de felicidade ficou tão distante, que nos contentamos em ter alguns momentos alegres que, por sinal, se tornam cada vez mais escassos. Agora simplesmente nos suportamos. Parece que voltar para casa ao final do dia ficou mais difícil, os atritos aumentaram, as mágoas são maiores… Às vezes, até parece que erramos na escolha… que faz pouco sentido continuar. Afinal de contas, onde está aquela felicidade líquida e certa que nos levou ao altar? Será que ela existe? Consigo chegar lá? Tenho medo de acreditar e me machucar! Será que há algo que se possa fazer? Tudo parece perdido! Será que foi mera ilusão? O amor existe? Será que isso pode ser mudado? Chega!! Chega de farsa, de faz de conta… chega de manter as aparências… Então começamos a pensar…O que fazer? Separação? Como ficariam os filhos? E o patrimônio, teria que ser dividido? Como seria a vida depois? … Não, não! Não é isso que eu quero! Será que temos alguma chance de dar certo? Vale a pena tentar novamente? … … … Não quero morrer desse jeito, eu quero ser feliz, tenho o direito de pensar em mim!! Como responder a tantas interrogações? Há algo que ainda pode ser feito? Há alguém que pode nos ajudar? Quem entende de casamento? Existem duas correntes a serem consideradas, mas elas não são excludentes. A primeira nos conduz para a busca de orientação e apoio de especialistas em relacionamento: psicoterapeutas, conselheiros, terapeutas de família, educadores, pesquisa e estudo da literatura…..caminhos que muitas vezes não estão abertos a todos. A segunda corrente nos conduz para Aquele que estabeleceu o casamento, e que mais entende do ser humano, Aquele que deixou o maior cabedal de princípios, conselhos e instruções para facilitar os relacionamentos e garantir a harmonia familiar. Sim, é isso mesmo, é a Deus que estou me referindo. As pessoas que ignoram os critérios para o relacionamento humano e familiar que Ele expôs em Sua Palavra, estão fadadas ao sofrimento e dor. Porém, os que buscam os Seus conselhos, certamente experimentarão uma renovação de suas vidas. Deus pode usar tanto o ensino e a instrução, pura e simplesmente, conforme estão expressos na Palavra Bíblica, quanto os meios desenvolvidos por intermédio da ciência, para fazer-Se entender ao coração secularizado, isso se o humano der espaço à atuação divina. Então, o que é preciso fazer para que essas informações, conselhos e sugestões possam ser incorporadas em nosso viver? Como podem atuar em nossa conduta de forma a devolver a graça, o significado e o sentido do viver a dois? Já tentamos mil maneiras, mas as estratégias logo ficam no esquecimento! Existe alguma fórmula eficiente? Primeiro, estamos seguros do que realmente queremos e buscamos para a nossa vida, para o nosso relacionamento? Queremos mudanças? Que tipo de mudanças? A que nível de proximidade pretendemos chegar? Precisamos entender que não existe uma receita milagrosa. É necessário o querer e muito investimento. Temos que tomar decisões, estabelecer prioridades… enfim, tudo aquilo que uma grande empresa faz quando se determina a ampliar seus serviços para alcançar os resultados esperados: levantamento de dados, busca de consultoria, reuniões de planejamento, levantamento de hipóteses, determinação de objetivos, definição de metas, estabelecimento de estratégias, definição de papéis, treinamentos, estímulos motivacionais e de recompensa, técnicas de avaliação, etc. Todos esses cuidados são essenciais à sobrevivência da empresa. Não basta um discurso inflamado do administrador e nem mera boa vontade da equipe. Para que os resultados aconteçam, é indispensável o comprometimento e responsabilidade de todos: garra, dedicação, humildade, união, persistência, mesmo quando ainda não se percebe os resultados. Então, você está disposto a empreender? Veja bem, os resultados que devemos buscar não são uns medíocres tostões, valores materiais, fúteis e finitos. Devemos ir em busca de resgate do ser humano, dos valores que o compõe, da dignidade de vida, da realização afetiva,… vamos construir a felicidade!!! Qual é o preço desse investimento? É viável? Será que alguém já chegou lá? Quanto aos custos é importante destacar dois aspectos: Primeiro: desistir é desistir da vida, é sentir-se um perdedor. Não há espaço em sua vida para esse tipo de sentimentos e sensações. Você é um lutador, um vencedor! Você não iniciou essa jornada para desistir no meio do caminho, para jogar fora as suas esperanças… Segundo: empreender na felicidade de alguém, cultivar o amor requer que você abandone apenas aqueles aspectos da vida que entram no seu crescimento pessoal, que o prendem a detalhes medíocres, que aumentam a sua rudeza, que geram rugas, amargura e apatia. Investir no outro traz a sensação de completude, de realização, de alegria, satisfação que, circunstância alguma jamais poderá roubá-la de seu coração. Estando convicto da importância e validade de investir no amor, tenho a certeza de que todas as suas energias estarão mobilizadas para alcançar seus objetivos. Cada aspecto à sua volta será mais um estímulo para concentrar seus esforços, cada leitura lhe trará mais motivação e incentivo enfim, suas oportunidades de construir a felicidade, a partir da Vida a Dois se multiplicarão e então, a vida passará a ter outro sabor. Seja feliz em sua busca da Vida a Dois! Caso lhe pareça interessante utilizar algumas estratégias práticas para favorecer a restauração de seus motivos, faça uma breve reflexão: Identifique os aspectos mais importantes que você gostaria de cultivar. Compartilhe esse assunto com seu cônjuge e, juntos, tentem esboçar o resultado desse diálogo. Talvez a recapitulação daquelas conversas dos tempos de namoro … a lembrança das promessas feitas nos primeiros meses do casamento…. ajude seu cônjuge a reviver a animação e o encanto do amor. Escreva num papel esses pontos e compartilhe com seu cônjuge.

Quem precisa de paz?

Famílias são desfeitas por ciúmes, consumo de álcool e drogas, prática de jogos de azar, parceiros múltiplos, excesso de trabalho, má administração financeira, falta de amor, falta de tempo, doença e morte. Situações inesperadas nos sobrevêm, mas é possível sentir paz e segurança quando o caos abate nossa vida. Veja, por exemplo, a vida de Davi. Ele foi um rei muito importante. É lembrado como uma pessoa de sucesso. Ao ler sua biografia (encontrada nos livros de 1 Samuel e 2 Samuel e vários salmos), percebemos altos e baixos. Ele venceu várias batalhas, alcançou popularidade, ampliou seu reinado, conquistou riquezas, aumentou seu patrimônio. No entanto, Davi foi perseguido em vários momentos, perdeu alguns de seus filhos para a morte, tomou decisões precipitadas que mudaram o curso de sua vida (relacionou-se com uma mulher casada e mandou matar seu marido). Quando fugia de seu filho Absalão, que queria ser rei em seu lugar, compôs um magnífico poema musical. Podemos encontrá-lo no Salmo 3:1 a 12. Destaco aqui os versos de 1 a 5: “Senhor, muitos são os meus adversários! Muitos se rebelam contra mim! São muitos os que dizem a meu respeito: ‘Deus nunca o salvará!’ Mas tu, Senhor, és o escudo que me protege; és a minha glória e me fazes andar de cabeça erguida. Ao Senhor clamo em alta voz, e do Seu santo monte Ele me responde. Eu me deito e durmo, e torno a acordar, porque é o Senhor que me sustém.” O rei Davi passou por situações de extremo conflito e sentiu paz e esperança, porque confiava em Deus. Há pessoas que nos dizem as mesmas palavras que disseram ao rei Davi: “Deus nunca o salvará!” Mas a Bíblia nos diz que isso não é verdade. A Bíblia nos conta sobre Deus, e Deus não mente. O apóstolo São Pedro nos lembra: “Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. O dia do Senhor, porém, virá como ladrão” (2 Pedro 3:8-10). Deus nos concede paz e esperança hoje. Ele remodela nossa vida hoje. Ele nos oferece o arrependimento e a segunda chance hoje. Ele está vindo em breve para nos encontrar e fazer novas todas as coisas. Qual será a minha resposta para Deus hoje?

A paz verdadeira

Em todos os lugares em que a Palavra de Deus tenha sido fielmente proclamada, seguiram-se resultados que provaram sua origem divina. Pecado­res tiveram a consciência despertada. Coração e mente eram tomados de profunda convicção. As pessoas tinham uma intuição da justiça de Deus, e exclamavam: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24, ARA). Ao ser-lhes revelada a cruz, viram que nada, exceto os méritos de Cristo, seria suficiente para alcançar o perdão por suas transgressões. Pelo sangue de Jesus tiveram o livramento dos “pecados anteriormente cometidos” (Romanos 3:25). Essas pessoas creram e foram batizadas, e se levantaram para an­dar em nova vida. Pela fé no Filho de Deus, começaram a seguir Seus passos, refletir Seu caráter, e purificar-se como Ele é puro. As coisas que antes odiavam, agora amavam; e as que antes amavam, passaram a odiar. Os orgulhosos se tornaram humildes, os vaidosos e arrogan­tes passaram a ser recatados e acessíveis. Os ébrios se tornaram só­brios; os devassos, puros. Os cristãos entendem que “a beleza [...] não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e joias de ouro ou roupas finas. Ao contrário”, deve estar “no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus” (1 Pedro3:3,4). Os despertamentos espirituais costumavam ser constituídos de solenes apelos ao pecador. Os resultados eram vistos nas pessoas que não recuavam da abnegação, mas se alegravam por serem considera­das dignas de sofrer por amor a Cristo. Era percebida uma transfor­mação naqueles que haviam professado o nome de Jesus. Esses eram, em anos passados, os resultados dos avivamentos religiosos. Muitos dos despertamentos dos tempos modernos têm, no en­tanto, apresentado notável contraste. É verdade que muitas pessoas pretendem estar convertidas, e há grande busca por igrejas. Apesar disso, os resultados não demonstram que houve aumento correspon­dente da verdadeira espiritualidade. A luz que brilha por algum tem­po logo desaparece. Avivamentos populares muitas vezes estimulam as emoções, satis­fazendo o amor por aquilo que é novo e surpreendente. Pessoas que se tornaram cristãs dessa maneira sentem pouco desejo de ouvir as ver­dades bíblicas. A menos que o culto tenha um caráter sensacional, não lhes é atraente. Para toda pessoa verdadeiramente convertida, o relacionamento com Deus e com as coisas eternas é o grande objetivo da vida. Onde, nas igrejas populares de hoje, existe a atitude de consagração a Deus? Os conversos não renunciam ao orgulho e amor ao mundanismo. Não estão mais dispostos a negar-se, tomar a cruz e seguir o manso e hu­milde Jesus, do que antes da conversão. O poder da espiritualidade quase desapareceu de muitas igrejas. Apesar do generalizado declínio da fé, há verdadeiros seguidores de Cristo nessas igrejas. Antes que os juízos de Deus caiam finalmente na Terra, haverá, entre o povo de Deus, um reavivamento da primitiva espiritualidade como não foi testemunhado desde os tempos apostólicos. O Espírito de Deus será derramado. Muitos se separarão das igre­jas em que o amor ao mundo substituiu o amor a Deus e à Sua Palavra. Muitos líderes e o restante das pessoas aceitarão alegremente as gran­des verdades que preparam um povo para a segunda vinda do Senhor. O inimigo deseja impedir isso, e antes que chegue o tempo para tal movimento, ele se esforçará para produzir uma imitação. Nas igre­jas que puder colocar debaixo de seu poder, fará parecer que a bên­ção especial foi concedida. Multidões exultarão, dizendo: “Deus está agindo de maneira maravilhosa”, quando na verdade a obra é de outro espírito. Sob o disfarce religioso, Satanás procurará estender sua in­fluência sobre o mundo cristão. Haverá um estímulo emotivo, mistu­ra do verdadeiro com o falso, muito apropriado para iludir. À luz da Palavra de Deus, contudo, não é difícil descobrir a ver­dadeira origem desses movimentos. Em todos os lugares em que as pessoas negligenciem o ensino da Bíblia, desviando-se das verdades claras que servem para testar a cada um, e que requerem a renúncia ao pecado, podemos estar certos de que ali não está presente a bên­ção de Deus. Segundo a regra de que “vocês os reconhecerão por seus frutos” (Mateus 7:16), é evidente que esses movimentos não são obra do Espírito de Deus. As verdades da Palavra de Deus são um escudo contra os enganos de Satanás. Negligenciar essas verdades abriu a porta aos males que agora se generalizam no mundo. Tem-se perdido de vista, em grande medida, a importância da lei de Deus. Uma compreensão equivocada sobre a lei divina tem provocado erros a respeito da conversão e san­tificação, rebaixando a prática religiosa. Nisso está o segredo da falta do Espírito de Deus nos reavivamentos de nossa época. A lei da liberdade – Muitos guias religiosos afirmam que Cristo, em Sua morte, aboliu a lei. Alguns a representam como um pesado fardo e, em contraste com a “escravidão” da lei, apresentam a “liber­dade” que pode ser desfrutada através do evangelho. Porém, não era assim que os profetas e apóstolos consideravam a santa lei de Deus. Escreveu Davi: “Andarei em verdadeira liberdade, pois tenho buscado os Teus preceitos” (Salmo 119:45). O apóstolo Tiago se refere aos Dez Mandamentos como “a lei perfeita, que traz a liberda­de” (Tiago 1:25). O apóstolo João pronuncia uma bênção sobre todos os que “obedecem aos mandamentos de Deus” (Apocalipse 12:17; 14:12). Se tivesse sido possível mudar a lei ou deixá-la de lado, Cristo não precisaria ter morrido para salvar o ser humano da penalidade do pe­cado. O Filho de Deus veio para “tornar grande e gloriosa a Sua lei” (Isaías 42:21). Disse Jesus: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. [...] Enquanto existirem céus e Terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço” (Mateus 5:17, 18). A respeito de Si próprio, Cristo declara: “Tenho grande alegria em fazer a Tua von­tade, ó Meu Deus; a Tua lei está no fundo do Meu coração” (Salmo 40:8). Para toda pessoa verdadeiramente convertida, o relacionamento com Deus e com as coisas eternas é o grande objetivo da vida. A lei de Deus não muda, pois é uma revelação de Seu caráter. Deus é amor, e Sua lei também o é. “O amor é o cum­primento da Lei” (Romanos 13:10). Diz o salmista: “A Tua lei é a verdade”; “To­dos os Teus mandamentos são justos” (Salmo 119:142, 172). Paulo declara: “A Lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom” (Romanos 7:12). Uma lei assim precisa ser tão duradoura quanto o seu Autor. O objetivo da conversão e santificação é reconciliar as pessoas com Deus, pondo-as em harmonia com os princípios de Sua lei. Logo depois da criação, o ser humano estava em perfeita harmonia com a lei de Deus. O pecado, porém, afastou-o do Criador. O coração estaria em guerra contra os princípios da lei de Deus. “A mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo” (Romanos 8:7). Mas “Deus tanto amou o mundo que deu o Seu Filho Unigênito” (João 3:16) para que o ser humano pudesse ser reconciliado com Deus, restaurado à harmonia com o seu Criador. Essa mudança é o novo nas­cimento, sem o qual a pessoa não “pode ver o Reino de Deus” (João 3:3). Convicção do pecado – O primeiro passo na reconciliação com Deus é estar convicto do pecado. “Pecado é a transgressão da Lei” (1 João 3:4). “É mediante a Lei que nos tornamos plenamente cons­cientes do pecado” (Romanos 3:20). A fim de ver sua culpa, o pecador deve examinar seu caráter à luz do espelho de Deus, o qual mostra a perfeição de um viver justo e habilita-o a perceber seus defeitos. A lei revela ao ser humano os seus pecados, mas não provê uma so­lução. Ela declara que a morte é o salário do transgressor. Somente o evangelho de Cristo pode livrá-lo da condenação ou contaminação do pecado. Ele deve se arrepender diante de Deus, cuja lei transgrediu, e ter fé em Cristo, seu perfeito sacrifício. Assim ele obtém perdão pelos “peca­dos anteriormente cometidos” (Romanos 3:25) e se torna filho de Deus. Estaria a pessoa, depois disso, em liberdade para transgredir a lei de Deus? Diz Paulo: “Anulamos então a Lei pela fé? De maneira ne­nhuma! Ao contrário, confirmamos a Lei” (Romanos 3:31). “Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?” (Romanos 6:2). João declara: “Nisto consiste o amor a Deus: em obe­decer aos Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são pe­sados” (1 João 5:3). Durante o novo nascimento, o coração é posto em harmonia com Deus, em conformidade com a Sua lei. Quando ocor­re essa transformação no pecador, ele passa da morte para a vida, da transgressão e rebelião para a obediência e lealdade. Terminou a ve­lha vida; começou uma vida nova, de reconciliação, fé e amor. A par­tir desse momento, as “justas exigências da Lei” serão cumpridas “em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:4). A fala do coração será: “Como eu amo a Tua lei! Me­dito nela o dia inteiro” (Salmo 119:97). Sem a lei de Deus, as pessoas não possuem verdadeira convicção do pecado e não sentem necessidade de arrependimento. Não perce­bem a necessidade do sangue purificador de Cristo. A esperança da salvação é aceita sem uma mudança radical do coração ou reforma da vida. São comuns tais conversões superficiais, e multidões se unem às igrejas sem nunca ter se unido a Cristo. O que é ser santo? – Teorias equivocadas sobre a santificação tam­bém são causadas pela negligência ou rejeição da lei divina. Essas te­orias, falsas na doutrina e perigosas nos resultados práticos, são, de modo geral, aceitas pelas multidões. Paulo declara: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados” (1 Tessalonicenses 4:3). A Bíblia ensina claramente o que é santificação e como deve ser alcançada. O Salvador orou pelos discípulos: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). E Paulo ensina que os cristãos devem ser santificados “pelo Espírito Santo” (Romanos 15:16). Qual é a obra do Espírito Santo? Jesus disse aos discípulos: “Quan­do o Espírito da verdade vier, Ele os guiará a toda a verdade” (João 16:13). Acrescenta o salmista: “A Tua lei é a verdade” (Salmo 119:142). Sendo que a lei de Deus é santa, justa e boa, o caráter formado pela obediência à lei deve ser santo. Cristo é o exemplo perfeito de um caráter assim. Diz Ele: “Tenho obedecido aos mandamentos de Meu Pai” (João 15:10); “Sempre faço o que Lhe agrada” (João 8:29). Os seguidores de Cristo devem se tor­nar semelhantes a Ele; pela graça de Deus devem formar um caráter em harmonia com os princípios de Sua santa lei. Isso é santificação bíblica. Fé sem obediência? – Essa tarefa pode ser realizada somente pela fé em Cristo, pelo poder do Espírito de Deus habitando em nós. O cristão sentirá as insinuações do pecado, mas travará luta constante contra ele. Para isso, o auxílio de Cristo é necessário. A fraqueza hu­mana se une à força divina, e a fé exclama: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 15:57). A santificação é progressiva. Quando, na conversão, o pecador en-contra paz com Deus, está apenas iniciando a vida cristã. A partir de então, deve avançar “para a maturidade” (Hebreus 6:1), crescendo até “a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13). Paulo afirma: “Pros­sigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14). Aqueles que experimentam a santificação bíblica, manifestarão humildade. Veem sua própria indignidade em contraste com a perfeição do Deus infinito. O profeta Daniel foi exemplo de genuína santifica­ção. Em vez de pretender ser puro e santo, esse honrado profeta se identificou com os israelitas que verdadeiramente eram pecadores, enquanto orava a Deus por seu povo (veja Daniel 9:15, 18, 20; 10:11). Aqueles que andam à sombra da cruz do Calvário, não terão exal­tação própria ou orgulhosa pretensão quanto a estar livres do pecado. Eles sentem que seu pecado causou a agonia que partiu o coração do Filho de Deus, e esse pensamento os leva à humildade. Aqueles que vivem mais perto de Jesus, percebem mais claramente a fragilidade e pecaminosidade do ser humano, e sua única esperança está nos mé­ritos do Salvador. A santificação que frequentemente é ensinada no mundo religio­so produz exaltação própria e desrespeito à lei de Deus, e isso mostra que ela é contrária à Bíblia. Seus defensores ensinam que a santifi­cação é algo instantâneo, pela qual, através da “fé somente”, alcan­çam perfeita santidade. “Apenas creia”, dizem eles, “e a bênção será sua.” Pressupõe-se que não seja necessário qualquer outro esforço por parte da pessoa que recebe a santidade. Ao mesmo tempo, ne­gam a autoridade da lei de Deus, insistindo que estão livres da obri­gação de guardar os mandamentos. Mas será possível que alguém seja santo sem estar em harmonia com os princípios que expressam a natureza e vontade de Deus? O ensino da Palavra de Deus é contra essa falsa doutrina da fé sem obediência. Não é fé, e sim presunção, pretender a aprovação do Céu sem cumprir as condições necessárias para que a bênção seja concedi­da (veja Tiago 2:14-24). Ninguém se engane com a crença de que pode se tornar santo enquanto transgride voluntariamente um dos mandamentos de Deus. Cometer um pecado conhecido silencia a voz do Espírito Santo e se-para de Deus a pessoa. Embora João trate tão amplamente do amor, não hesita em revelar o verdadeiro caráter daqueles que pretendem ser santos ao mesmo tempo que transgridem a lei de Deus. “Aquele que diz: ‘Eu O conheço’, mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas, se alguém obedece à Sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado” (1 João 2:4, 5). Esse é o critério para testar as afirmações humanas. Se as pessoas depreciam e consideram de pouca importância os pre­ceitos de Deus, se violam um desses mandamentos e assim ensinam aos outros, podemos saber que suas pretensões não possuem funda­mento (veja Mateus 5:18, 19). Quando alguém afirma estar sem pecado, isso é em si mesmo uma evidência de que tal pessoa está longe da santidade. Ela não tem verdadeira concepção da infinita pureza e santidade de Deus, nem da malignidade e horror do pecado. Quanto maior a distância entre a pessoa e Cristo, tanto mais justa ela parecerá a seus olhos. Santidade bíblica – A santificação en­volve todo o ser: espírito, alma e corpo (veja 1 Tessalonicenses 5:23). Os cristãos são solicitados a apresentar seu corpo em “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12:1). Toda prática que enfra­queça a força física ou mental inabilita a pessoa a servir seu Criador. Aqueles que amam a Deus de todo o coração, estarão constantemente procurando pôr toda habilidade do ser em harmonia com as leis que os tornarão aptos a fazer a vontade divina. Não enfraquecerão nem contaminarão, pela tran­sigência com maus desejos, a oferta que apresentam a seu Pai celestial. Durante o novo nascimento, o coração é posto em harmonia com Deus, em conformidade com a Sua lei. Toda transigência pecaminosa tende a amortecer a capacidade e a destruir o poder de percepção mental e espiritual. A Palavra de Deus ou o Espírito Santo poderão impressionar o coração apenas de manei­ra muito fraca. “Purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1). Quantos pretensos cristãos degradam sua semelhança com Deus através da gula, da bebida alcoólica e dos prazeres proibidos! E a igreja muitas vezes incentiva o mal, a fim de encher o seu tesouro, o qual o amor a Cristo é demasiado fraco para prover. Se Jesus entrasse nas igre­jas de hoje e visse as festas realizadas em nome da religião, não expul­saria a esses profanadores, assim como baniu do templo os cambistas? “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portan­to, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo” (1 Coríntios 6:19, 20). Aquele cujo corpo é o templo do Espírito Santo, não se escravizará por hábitos nocivos. Suas habilidades pertencem a Cristo. Sua propriedade é do Senhor. Como poderia desperdiçar o capital que lhe é entregue? Pretensos cristãos gastam anualmente somas consideráveis de di­nheiro com transigências nocivas. Deus é roubado nos dízimos e ofer­tas, enquanto consomem no altar dos prazeres destruidores mais do que dão para socorrer os pobres ou para o sustento do evangelho. Se todos os que afirmam seguir a Cristo fossem verdadeiramente santifi­cados, seus meios, em vez de serem gastos com desnecessárias e noci­vas práticas, reverteriam para o tesouro do Senhor. Os cristãos dariam um exemplo de temperança e sacrifício. Seriam a luz do mundo. “A cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens” (1 João 2:16) controlam as massas. Os seguidores de Cristo, porém, pos­suem uma vocação mais elevada. “Portanto, saiam do meio deles e sepa­rem-se, diz o Senhor. Não toquem em coisas impuras, e Eu os receberei” (2 Coríntios 6:17). Aos que satisfazem essas condições, a promessa de Deus é: “[Eu] lhes serei Pai, e vocês serão Meus filhos e Minhas filhas, diz o Senhor todo-poderoso” (2 Coríntios 6:18). Acesso direto a Deus – Cada passo de fé e obediência leva a pes­soa a uma relação mais íntima com Jesus, a Luz do mundo. Os bri­lhantes raios do Sol da justiça resplandecem sobre os servos de Deus, e estes devem refletir Seus raios. Os astros nos falam de uma grande luz no céu, cuja glória refletem. Da mesma forma, os cristãos devem mostrar que, no trono do Universo, há um Deus cujo caráter é digno de louvor e imitação. A santidade de Seu caráter será manifestada em Suas testemunhas. Por meio dos méritos de Cristo, temos acesso ao trono do Poder infinito. “Aquele que não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com Ele, e de graça, to­das as coisas?” (Romanos 8:32). Diz Jesus: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos Céus dará o Espírito Santo a quem O pedir!” (Lucas 11:13); “O que vocês pedirem em Meu nome, Eu farei” (João 14:14); “Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa” (João 16:24). É privilégio de cada um viver de tal maneira que Deus o aprove e abençoe. Não é da vontade de nosso Pai celestial que vivamos com medo e em trevas. Andar cabisbaixo e com o coração cheio de preocupações não é prova de verdadeira humildade. Podemos ir a Jesus e ser purifi­cados, permanecendo diante da lei de Deus sem desonra ou remorso. Por meio de Jesus, os decaídos filhos de Adão se tornam “filhos de Deus”. Ele “não Se envergonha de chamá-los irmãos” (Hebreus 2:11). A vida cristã deve ser de fé, vitória e alegria em Deus. “A alegria do Se­nhor os fortalecerá” (Neemias 8:10). “Alegrem-se sempre. Orem conti­nuamente. Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1 Tessalonicenses 5:16-18). São esses os frutos da conversão e santificação bíblica. Pelo fato de os grandes princípios da justiça apresentados na lei de Deus serem con­siderados com tanta indiferença é que esses frutos são tão raramente testemunhados. É por isso que tão pouco é visto da profunda e contí­nua obra do Espírito Santo, a qual marcava os avivamentos do passado. Somos transformados pela contemplação. Negligenciando os pre­ceitos sagrados, nos quais Deus revelou aos seres humanos a perfei­ção e santidade de Seu caráter, e atraindo a mente do povo a teorias e ensinos humanos, o que poderá haver de estranho no declínio da es­piritualidade na igreja? Somente à medida que a lei de Deus for resta­belecida à sua posição correta, poderá haver avivamento da primitiva fé e espiritualidade entre o Seu povo

Seduções perigosas

O grande conflito entre Cristo e Satanás logo será concluído, e o maligno tem duplicado seus es­forços para anular o que Cristo realiza pelos seres humanos. O objetivo dele é manter as pessoas em trevas e sem arre­pendimento, até que termine a intercessão do Salvador. Quando a in­diferença prevalece entre os cristãos, Satanás não se preocupa. Mas quando as pessoas indagam: “O que é necessário fazer para ser salvo?”, ele procura opor seu poder ao de Cristo e neutralizar a influência do Espírito Santo. Em certa ocasião, quando os anjos de Deus foram se apresentar diante do Senhor, Satanás foi também entre eles, não para se curvar pe­rante o Rei eterno, mas para apresentar seus planos maldosos contra os justos (veja Jó 1:6). Ele está presente quando as pessoas se reúnem para adorar a Deus e trabalha com dedicação a fim de controlar a mente dos adoradores. Quando vê o mensageiro de Deus pesquisando a Bíblia, ele anota o assunto que será apresentado ao povo. Então utiliza seu engano e astúcia para que a mensagem não atinja aqueles que ele está enganan­do nesse exato ponto. Aquele que mais necessita da advertência estará envolvido em alguma operação comercial, ou será de algum modo impe­dido de ouvir a palavra. Satanás vê os servos do Senhor preocupados com as trevas que en­volvem o povo. Ouve as orações deles pedindo graça e poder divinos para quebrar o encanto da indiferença e indolência. Então, com maior esforço, tenta as pessoas a satisfazerem o apetite ou alguma outra for­ma de transigência com maus desejos, assim amortecendo a sensibili­dade deles, de maneira que deixem de ouvir precisamente as coisas que mais necessitam aprender. Satanás sabe que todos aqueles que negligenciam a oração e o estudo da Palavra de Deus, serão vencidos por seus ataques. Portan­to, inventa todo artifício possível para ocupar a mente. Aqueles que o auxiliam e são sua “mão direita”, estão sempre ocupados enquanto Deus atua. Eles apresentarão os mais determinados e altruístas ser­vos de Cristo como estando enganados ou sendo enganadores. É tare-fa de Satanás representar falsamente as intenções de todas as atitudes nobres, difundir insinuações e despertar suspeitas na mente dos inex­perientes. Entretanto, é possível ver facilmente o exemplo de quem seguem e a obra de quem fazem. “Vocês os reconhecerão por seus fru­tos” (Mateus 7:16). A verdade transforma – O grande enganador tem muitos falsos en­sinos preparados e adaptados ao gosto daqueles que ele deseja arruinar. É seu plano levar para a igreja pessoas não sinceras, não convertidas, que estimularão a dúvida e a incredulidade. Muitos que não têm ver­dadeira fé em Deus concordam com alguns princípios da verdade e aparentam ser cristãos, e assim estão aptos para introduzir seus er­ros como doutrinas bíblicas. Satanás sabe que a verdade, recebida por amor, santifica a vida. Portanto, procura substituí-la por falsas teorias e fábulas, ou por outro evangelho. Desde o início, os servos de Deus têm lutado com falsos mestres, que não são meramente pessoas corrup­tas, mas que impõem falsidades fatais. Elias, Jeremias e Paulo se opu­seram firmemente aos que desviavam as pessoas da Palavra de Deus. A ideia de que é sem importância uma fé religiosa correta não era apoiada por aqueles santos defensores da verdade. As interpretações confusas e especulativas sobre a Bíblia e as teo­rias conflitantes do mundo cristão são a obra do inimigo para confun­dir a mente das pessoas. A discórdia e divisão entre as igrejas são em grande parte causadas pelo costume de distorcer a Palavra de Deus a fim de apoiar uma teoria apreciada. A Bíblia inteira deve ser apresentada às pessoas tal como é. Com o objetivo de sustentar doutrinas equivocadas, alguns uti­lizam textos bíblicos isolados do contexto, citando talvez a metade de um versículo como prova de seu ponto de vista, quando a parte restante mostraria ser exatamente contrá­rio o sentido. Com a astúcia da serpen­te, protegem-se por trás de declarações desconexas, construídas para satisfazer seus desejos. Outros se apegam a figuras e símbolos, interpretam-nos como acham melhor, desconsiderando o ensino da Bíblia como seu próprio intérprete, e en­tão apresentam suas invenções como en­sino de Deus. A Bíblia inteira é um guia – Sempre que o estudo da Palavra de Deus é iniciado sem atitude de oração e desejo de aprender, o verdadeiro sentido dos textos mais claros será distorcido. A Bíblia inteira deve ser apresentada às pessoas tal como é. Deus deu aos seres humanos a segura palavra da profecia. Os an­jos e o próprio Cristo vieram para mostrar a Daniel e a João “o que em breve há de acontecer” (Apocalipse 1:1). Os importantes assuntos que dizem respeito à nossa salvação não foram revelados para tornar perplexo e confundir o honesto pesquisador da verdade. A Palavra de Deus é clara a todos os que a estudam com oração. Pretendendo ter uma “mente aberta”, as pessoas se tornam ce­gas às ciladas do inimigo. Ele é bem-sucedido em substituir a Bíblia por especulações humanas; a lei de Deus é posta de lado; e as igre­jas se acham escravizadas pelo pecado, embora declarem estar livres. Deus permitiu que grande luz fosse derramada sobre o mundo através das descobertas científicas. Porém, mesmo as maiores men­tes, se não forem guiadas pela Palavra de Deus, ficarão desorientadas em suas tentativas de investigar as relações entre a ciência e a religião. O conhecimento humano é parcial e imperfeito; portanto, mui­tos são incapazes de harmonizar seus pontos de vista científicos com a Bíblia. Muitos aceitam meras teorias como fatos científicos, imagi­nando que a Palavra de Deus deva ser provada pela “falsamente cha­mada ciência” (1 Timóteo 6:20, ARC). Por não poderem explicar o Criador e Suas ações através das leis naturais, a história bíblica é con­siderada indigna de confiança. Aqueles que duvidam do Antigo e do Novo Testamentos, muitas vezes vão além, duvidando da existência de Deus. Tendo perdido sua âncora, são deixados a chocar-se contra as rochas da descrença. É obra-prima dos enganos de Satanás manter as pessoas em es­peculações a respeito daquilo que Deus não revelou. Lúcifer se sentiu insatisfeito porque nem todos os segredos de Deus lhe foram decla­rados, e desprezou completamente aquilo que havia sido revelado. Agora procura impregnar a mente das pessoas com a mesma atitude, levando-as também a desconsiderar os claros mandamentos de Deus. A verdade envolve sacrifício – Quanto menos espirituais e altru­ístas forem as doutrinas apresentadas, mais facilmente serão aceitas. Satanás está pronto a atender o desejo do coração, e apresenta seus en­ganos em lugar da verdade. Foi assim que o papado dominou a mente das pessoas, durante a Idade Média. E, ao rejeitarem a verdade, vis-to que ela implica em sacrifício, os evangélicos estão seguindo o mes­mo caminho. Todos aqueles que procuram conveniências e estratégias para não se acharem em desacordo com o mundo, aceitarão “heresias destruidoras” (2 Pedro 2:1) como se fossem verdade. Quem olha com horror para um engano, receberá facilmente outro. Erros perigosos – Entre as criações mais bem-sucedidas do grande en­ganador, encontram-se os ensinos ilusórios e mentirosos do espiritualis­mo. Ao rejeitarem a verdade, as pessoas caem nas armadilhas do engano. Outro erro é a doutrina que nega a divindade de Cristo, afir­mando que Ele não existia antes de Sua vinda ao mundo. Essa teoria contradiz as declarações de nosso Salvador a respeito de Seu relacio­namento com o Pai e Sua existência antes da criação do Universo (veja João 17:5, 24). Destrói a fé na Bíblia como revelação de Deus. Se as pessoas rejeitam os ensinos bíblicos sobre a divindade de Cristo, é inútil argumentar com elas; pois nenhum argumento, ainda que con­clusivo, poderia convencê-las. Ninguém que alimente esse erro pode ter uma compreensão correta do caráter ou missão de Cristo, nem do plano de Deus para a salvação do ser humano. Ainda outro erro é a crença de que Satanás não é um ser pessoal, mas que esse nome é utilizado nas Escrituras meramente para repre­sentar os maus pensamentos e desejos humanos. O ensino de que o segundo advento de Cristo é a Sua vinda a cada indivíduo por ocasião da morte é uma cilada para desviar a mente das pessoas de Sua vinda pessoal nas nuvens do céu. Satanás tem esta­do a dizer: “Ali está Ele, dentro da casa!” (Mateus 24:26), e muitos se perdem por aceitarem esse engano. Alguns cientistas ensinam que a oração não pode, na verdade, ser atendida. Isso seria a violação da lei – um milagre, e milagres não existem. O Universo, dizem eles, é governado por leis fixas, e o pró­prio Deus nada faz que contrarie essas leis. Assim representam Deus como sendo governado por Suas próprias leis – como se as leis divi­nas pudessem excluir a liberdade divina. Porventura Cristo e os apóstolos não realizaram milagres? O mesmo Salvador está hoje tão disposto a ouvir a oração feita com fé como quando andava visivelmente entre os seres humanos. O natural está unido ao sobrenatural. É parte do plano de Deus conceder-nos, em resposta à oração feita com fé, aquilo que Ele não concederia se não pedíssemos assim. Ceticismo em relação à Bíblia – Doutrinas errôneas removem os fundamentos fixados pela Palavra de Deus. Poucos são os que se con­tentam em rejeitar apenas uma verdade. A maioria continua a aban­donar, um após outro, os princípios da verdade, até que perdem a fé. Os erros da teologia popular têm levado muitas pessoas ao ceti­cismo. Para elas é impossível aceitar doutrinas que ofendem seu senso de justiça, misericórdia e bondade. Sendo que esses erros são apresen­tados como ensinos da Bíblia, essas pessoas se recusam a recebê-la como a Palavra de Deus. A Bíblia é olhada com desconfiança pelo fato de reprovar e conde­nar o pecado. Aqueles que não estão dispostos a obedecê-la, esforçam- se para derrubar sua autoridade. Não poucos se declaram sem fé a fim de justificar a negligência ao dever. Outros, tão apegados à comodi­dade que não realizam qualquer coisa que exija esforço ou sacrifício, tentam conquistar fama de sabedoria superior ao criticarem a Bíblia. Muitos pensam ser virtude manifestar descrença e ceticismo. Mas, aparentando sinceridade, existe autossuficiência e orgulho. Mui­tos têm prazer em encontrar na Bíblia alguma coisa que confunda a mente dos outros. Alguns inicialmente têm essa atitude por simples amor à controvérsia. Tendo, porém, expressado abertamente a descren­ça, unem-se àqueles que rejeitam a Deus. Evidência suficiente – Deus deu em Sua Palavra evidência suficien­te de que ela possui origem divina. Porém, a mente finita não é capaz de compreender completamente os propósitos do Ser infinito. “Quão insondáveis são os Seus juízos e inescrutáveis os Seus caminhos!” (Romanos 11:33). Podemos perceber amor e misericórdia ilimitados unidos ao poder infinito. Nosso Pai celestial revelará tudo aquilo que é para o nosso bem. Mas, além disso, devemos confiar na mão onipo­tente, no coração divino repleto de amor. Deus jamais removerá toda desculpa para a descrença. Todos aque­les que buscam ganchos em que pendurar suas dúvidas, os encontra­rão. E aqueles que se recusam a obedecer até que toda objeção tenha sido removida, jamais chegarão à luz. O coração não convertido está em inimizade com Deus. Mas a fé é inspirada pelo Espírito Santo e crescerá à medida que for acalentada. Ninguém poderá se tornar for­te na fé sem esforço decidido. Se as pessoas permitirem a si mesmas contestar, verão que suas dúvidas constantemente se tornam maiores. Mas aqueles que duvidam e não confiam na certeza de Sua graça, desonram a Cristo. São árvores infrutíferas que excluem a luz do Sol de outras plantas, fazendo-as atrofiar-se e morrer na fria sombra. A atitu­de dessas pessoas será uma constante testemunha contra elas mesmas. Ninguém está livre de perigo por um dia ou uma hora, sem oração Há apenas um caminho a seguir, para todos aqueles que dese­jam sinceramente livrar-se das dúvidas: em vez de questionar aquilo que não com­preendem, vivam de acordo com a luz que já brilha sobre eles, e receberão maior luz. Satanás pode apresentar uma imita­ção tão parecida com a verdade que seja capaz de enganar aqueles que estão dis­postos a ser enganados, que desejam se livrar do sacrifício exigido pela verdade. Porém, é impossível a ele reter em seu po­der uma só pessoa que sinceramente dese­je conhecer a verdade, custe o que custar. Cristo é a verdade, “a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” (João 1:9). “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, conhecerá a res­peito da doutrina” (João 7:17, ARA). O Senhor permite que Seu povo seja submetido ao ardente teste da tentação, não porque Ele tenha prazer em sua angústia, mas por­que isso é indispensável para a vitória final de Seu povo. Se Deus o livrasse da tentação, Ele não seria coerente com Sua própria glória, pois o objetivo do teste é preparar Seu povo para resistir à sedução do mal. Nem perdidos nem demônios podem excluir a presença de Deus de Seu povo se este confessar e abandonar seus pecados e reivindicar as promessas divinas. Toda tentação, quer expressada, quer secreta, pode ser vencida com êxito, “‘não por força nem por violência, mas por Meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6). “Quem há de maltratá-los, se vocês forem zelosos na prática do bem?” (1 Pedro 3:13). Satanás sabe que a pessoa mais frágil que per­manece em Cristo é mais do que suficiente para competir com as hostes das trevas. Portanto, procura retirar de suas poderosas fortifi­cações os soldados de Cristo, enquanto fica em espreita, pronto para destruir todos aqueles que se arriscam a penetrar em seu terreno. So­mente através da confiança em Deus e da obediência a todos os Seus mandamentos, poderemos estar seguros. Ninguém está livre de perigo por um dia ou uma hora, sem ora­ção. Devemos suplicar ao Senhor por sabedoria para compreender Sua Palavra. Satanás é hábil em citar a Bíblia, dando sua própria interpre­tação aos textos que deseja utilizar para nos fazer tropeçar. Devemos estudar a Bíblia com coração humilde. Para estar constantemente pro­tegidos das ciladas de Satanás, precisamos orar continuamente: “Não nos deixes cair em tentação” (Mateus 6:13).

Esperança para Você

Ao comentar com franqueza a difícil situação de sua vida, uma jovem disse: “Desejava ser popular entre os rapazes. Um dia, cedi à tentação no banco traseiro de um carro. Fiquei grávida e tive um bebê, mas logo perdi o filho que tanto amava e me tornei viciada em drogas. Agora sou prostituta.” E ela termi­nou seu relato perguntando: “Há esperança para mim?” A história inquietante dessa jovem não é única. De uma ou outra maneira, representa todos nós nos momentos de opressão ou diante das mais variadas situações problemáticas. Quantas pessoas se sentem como essa mulher! Trata­se de seres que, em meio às suas angústias, almejam paz para o coração atribu­lado. Talvez seja o jovem de vida irregular que busca com ansiedade melhorar seu mundo interior, ou o adulto que necessita preencher o vazio da alma com um padrão diferente de conduta. Enfim, podem ser seus amigos ou os meus que procuram afeto e compreensão para o pesado fardo que suportam. Todos esses corações angustiados fazem a si mesmos a grande pergunta: “Existe esperança para mim?” Aqui tenho o prazer de compartilhar uma res­posta favorável: “Sim, existe esperança!” Houve esperança para a mulher que venceu sua vida de libertinagem e hoje é uma nova pessoa. Continua havendo esperança para o jovem que perdeu seu rumo e para o adulto que sonha com uma vida plena e radiante. Com essa visão positiva e otimista, veremos nestas páginas o enorme va­lor da esperança, e como nosso coração pode se encher de felicidade. A verda­deira esperança é muito mais que uma simples perspectiva ou mero desejo. É a certeza de que todo mal pode ser vencido, e que tudo o que está torto pode ser endireitado. É uma atitude mental tão renovadora que a chamamos de “âncora da alma, segura e firme” (Hebreus 6:19). É a âncora que sustenta a vida; que dá paz e segurança na tormenta; que tira a desesperança do coração angustiado. Dois pacientes do interior do país acabavam de ser atendidos pelo mesmo médico. Quando o profissional recebeu os resultados das análises que havia so­licitado, deu o diagnóstico de cada caso. Um dos pacientes estava gravemente doente, com pouca chance de sobreviver. O outro não tinha nada sério, e espe­rava-se que sarasse em pouco tempo. Devido à distância em que viviam os doentes, foram-lhes enviados pelo correio os respectivos diagnósticos, mas, por uma infelicidade, os nomes foram trocados. A consequência foi que o doente que tinha pouca possibilidade de se recuperar con­tinuou vivendo, ao passo que o outro morreu, embora sua doença não fosse séria. A esperança salvou o paciente cuja doença era grave, e a desesperança ma­tou aquele cuja enfermidade era leve. Como se vê, a genuína esperança comuni­ca valor e otimismo, assegura a fortaleza espiritual e aumenta as defesas naturais do organismo. Como, então, não cultivar essa extraordinária virtude? Precisa­mos de esperança, ainda mais sabendo que o que é sentido no estreito âmbito do coração humano influencia a sociedade e o mundo. O mundo de hoje Como está o homem, assim está o mundo: com problemas de toda espécie e sem uma saída certa à vista. O próprio planeta está sendo sacudido por vio­lentos terremotos, devastadores furacões, perigosas erupções vulcânicas, ar­rasadoras inundações e desoladoras secas, além do temível “efeito estufa”, que está modificando o clima em diversas regiões da Terra. A esse quadro soma-se a obra predadora do homem, que contribui com a alteração do equilíbrio ecoló­gico da crosta terrestre. Mas essa realidade física, preocupante como possa ser, não é o aspecto mais relevante entre os problemas que afligem a humanidade. O que mais afeta o mundo não são os desastres naturais, e sim as ações con­taminadas dos seres humanos, as injustiças cometidas contra os mais indefe­sos, o espírito belicoso dos mais fortes, a moral permissiva que arruína milhões de famílias, os vícios que degradam e encurtam a vida, a insegurança que insta­la o roubo e a morte nas ruas das grandes cidades. Esses são os piores inimigos que dominam a Terra, como resultado do egoísmo e da maldade sem restrição. As palavras do antigo profeta Isaías poderiam ser aplicadas ao mundo de hoje: “As vossas mãos estão contaminadas, [...] os vossos lábios falam mentiras, e a vossa língua profere maldade. [...] Pelo que o direito se retirou, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas praças, e a retidão não pode entrar” (Isaías 59:3, 14). Mas, não importa qual seja a condição espiritual do mundo, uma esperança luminosa paira no horizonte. O seguinte relato ilustra como pode estar próxima a esperança. Certa noite de densa escuridão, um homem caminhava por uma solitária vereda montanhosa. Numa curva do caminho, ele escorregou e caiu no precipício. Contudo, na queda, ficou enganchado num forte galho de uma árvore, com os pés pendurados no va­zio. Desesperado, o homem tentou subir pela árvore, mas isso lhe foi impossível. Ali estava o pobre viajante: pendurado pelos braços, com os músculos em extrema tensão e o coração carregado de terror. Finalmente, sem forças, o infeliz se deixou cair no abismo. Mas, para sua incrível alegria, a queda foi de somente vinte centímetros! Ele estava a uma pequena distância da terra firme, e não sabia. Muitas pessoas, e mesmo o mundo, podem hoje se encontrar à beira do pre­cipício, com a convicção de estar às portas da tragédia final. Mas por que não pensar também que existe uma esperança alen­tadora? Por que não considerar que a solução está à vista? Talvez tão próxima como a curta distân­cia que salvou a vida do viajante da montanha! Nossa maior esperança A verdadeira esperança não se limita a uma ati­tude mental positiva; é muito mais que o sonho de um otimista. Tampouco está baseada nas promessas encantadoras dos grandes líderes da Ter­ra. Na realidade, não existe ação ou pessoa que possa acender uma esperança estável no fundo do coração humano. Então, onde está o segredo? Onde está a fonte de tão alta virtude? É uma utopia falar sobre ela, ou é algo alcançável? Ao longo da história, a humanida­de tem depositado sua confiança em sistemas políticos, para depois ficar total­mente desencantada, frustrada e sem esperança. Durante séculos, se pensou que a razão e a inteligência humana (os sistemas filosóficos) trariam esperan­ça para nosso planeta, mas, em vez disso, apenas ajudaram a aumentar a crise existencial das pessoas. Em contrapartida, milhões de pessoas nos asseguram que a maior esperança do mundo foi e continua sendo Jesus Cristo. Ele é a fon­te da esperança para o planeta e para cada um individualmente. Esse humilde Menino de Belém, esse excelente Carpinteiro de Nazaré, esse ca­tivante Pregador que comoveu as multidões, esse sábio Mestre que compartilhou o melhor ensino, esse ilustre Reformador que ainda continua transformando vidas, é o Filho de Deus, que veio ao mundo revelar o amor mais profundo do Universo e estabelecer a maior esperança de todos os tempos. Procure onde quiser, e você não encontrará outro que se pareça com Ele. Convido você a conhecê-Lo como seu Salvador. Aproxime-se dEle, mesmo que seja apenas para saber de quem se trata. Você descobrirá o Amigo mais mara­vilhoso, como uma vez eu também descobri. Se preferir, não acredite de início nEle. Mas, com o coração sincero e com objetividade, analise a vida e a obra des­se supremo Personagem de ontem, de hoje e de sempre. Você se surpreenderá à medida que conhecê-Lo melhor. Preparei esta obra de maneira coloquial, para você sentir que estou conver­sando com você sobre o assunto mais transcendente de todos. Gostaria de lhe dizer que, além de ser nossa maior esperança, Jesus é também nosso constante Ajudador. Durante os dias da Primeira Guerra Mundial, realizava-se a famosa “prova de Kitchener”, por meio da qual eram testados os regimentos ingleses para ver se estavam preparados para ir à frente da batalha. A prova consistia em caminhar um longo trajeto pelas piores estradas, e, por fim, cada soldado deveria se encontrar em seu respectivo lugar, em correta formação. Certo regimento de infantaria, que foi submetido a essa dura prova, tinha entre seus soldados um rapaz inexperiente e de pouca força física. A prova era realizada no norte da Índia, sobre um caminho desértico de areia, num dia de muito vento e calor. Durante os primeiros quinze quilômetros, tudo transcorreu bem, mas logo o jovem soldado começou a fraquejar. Felizmente, seu companheiro era um soldado experiente e robusto, a quem o jovem disse: “Estou ficando cansado.” “Ânimo, pois falta pouco!”, respondeu o companheiro. Se você falhar, todos nós seremos reprovados. Dê-me seu fuzil!” Mais tarde, disse-lhe: “Dê-me sua mochila!” E assim, pouco a pouco, o esgotado jovem foi aliviando sua carga. Por fim, quando haviam passado pela difícil pro­va, entre os soldados estava um com as costas vazias. Seu corajoso companheiro havia levado a carga no lugar dele. Quando, no caminho da vida, o fardo é pesado e temos dificuldade para continuar, convém recordar que também temos ao nosso lado um companheiro forte e vencedor: Jesus, o Filho de Deus. Ele pode tirar de nosso coração toda carga, toda dor, toda frustração, todo fracasso… Ele nos alivia o peso da vida e nos enche de renovadas esperanças. Ninguém pode nos ajudar tanto como esse Amigo! Este foi o começo do livro. A história continua. Agora vem o melhor… Para recordar: 1. Não importa qual seja a nossa situação, sempre existe esperança. Porém, a esperança deve ser colocada em Deus. “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor” (Jeremias 17:7). 2. A esperança é mais do que uma atitude mental positiva. É o olhar con­fiante que possibilita ver além da realidade visível. “Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?” (Romanos 8:24). 3. A fonte da verdadeira esperança é Jesus Cristo, que nos une a Deus. “Estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da pro­messa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” (Efésios 2:12, 13).

Por que existe o sofrimento?

Muitas pessoas veem os resultados do mal, com suas misérias e desolação, e questionam como ele pode existir no reino de um Deus infinito em sabedoria, poder e amor. Aqueles que estão dispostos a duvidar, utilizam isso como desculpa para rejeitar os ensinos da Bíblia. A tradição e a interpretação errônea têm obscurecido o ensino da Bíblia sobre o caráter de Deus, a natureza de Seu governo e a maneira como Ele trata com o pecado. É impossível explicar a origem dos sofrimentos humanos de modo a dar a razão de sua existência. Apesar disso, pode-se compreender o suficiente sobre a origem e término do pecado, a fim de que seja percebida a justiça e bondade de Deus. Ele não é, de modo algum, o responsável pelo surgimento do pecado. Ele não retirou arbitrariamente Sua graça, nem houve qualquer imperfeição em Seu governo, para dar motivo à rebelião. O pecado é um intruso, e não pode ser oferecida razão alguma para sua existência. Desculpá-lo significa defendê-lo. Se fosse possível encontrar uma justificativa para ele, deixaria de ser pecado. O pecado é a atuação de um princípio contrário à lei do amor, que é o fundamento do governo divino. Antes da manifestação do mal, havia paz e alegria por todo o Universo. O amor a Deus era supremo, e era imparcial o amor de uns para com os outros. Cristo era um com o eterno Pai em natureza, caráter e propósito – o único que poderia entrar nas decisões e propósitos de Deus. “NEle foram criadas todas as coisas nos céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, pode­res ou autoridades; todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele” (Colossenses 1:16). Sendo que a lei do amor é o fundamento do governo de Deus, a felicidade de todas as criaturas dependia de sua perfeita harmonia com os princípios de justiça dessa lei. Deus não tem prazer na submissão forçada, mas concede a todos o poder da escolha, para que possam prestar-Lhe obediência voluntária. Houve, porém, alguém que preferiu deturpar essa liberdade. O pecado se originou com aquele que, depois de Cristo, havia sido o mais honrado por Deus. Antes do pecado, Lúcifer era o primeiro dos querubins guardiões, santo e incontaminado. A respeito dele, Deus afirma: “Você era o modelo da perfeição, cheio de sabedoria e de perfeita beleza. Você estava no Éden, no jardim de Deus; todas as pedras preciosas o enfeitavam [...]. Você foi ungido como um querubim guardião, pois para isso Eu o designei. Você estava no monte santo de Deus e caminhava entre as pedras fulgurantes. Você era inculpável em seus caminhos desde o dia em que foi criado até que se achou maldade em você. [...] Seu coração tornou-se orgulhoso por causa da sua beleza, e você corrompeu a sua sabedoria por causa do seu esplendor. [...] Você pensa que é sábio, tão sábio quanto Deus” (Ezequiel 28:12-15, 17, 6). “Você, que dizia no seu coração: Subirei aos Céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembleia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo” (Isaías 14:13, 14). Ao cobiçar a honra que o infinito Pai havia concedido a Seu Filho, esse chefe dos anjos aspirou ao poder que pertencia somente a Cristo. Naquele momento, uma nota dissonante desfez a harmonia celestial. Na mente dos anjos, para quem a glória de Deus era suprema, a exaltação própria era um prenúncio de grandes males. Nas reuniões celestiais, todos argumentavam com Lúcifer. O Filho de Deus lhe apresentava a bondade e justiça do Criador e a natureza sagrada de Sua lei. Ao afastar-se dela, Lúcifer desonraria seu Criador e traria ruína sobre si mesmo. Mas as advertências apenas despertavam atitude de resistência. Lúcifer permitiu que prevalecesse sua inveja em relação a Cristo. O orgulho alimentou o desejo de supremacia. As honras concedidas a Lúcifer não despertavam gratidão para com o Criador. Ele desejava ser igual a Deus. Porém, o Filho de Deus era o reconhecido Soberano do Céu, igual ao Pai em autoridade e poder. De todas as reuniões divinas, Cristo participava, mas não era permitido a Lúcifer penetrar no conhecimento dos propósitos divinos. “Por quê”, perguntava o poderoso anjo, “deveria Cristo ter a supremacia? Por que Ele é honrado acima de mim?” Descontentamento entre os anjos – Ao deixar a presença de Deus, Lúcifer saiu difundindo o descontentamento entre os anjos. Ele agia de maneira dissimulada e escondia seu verdadeiro propósito aparentando ter reverência a Deus. Também esforçava-se em provocar insatisfação pelas leis que governavam os seres celestiais, insinuando que elas impunham uma restrição desnecessária. Sendo que os anjos possuem uma natureza santa, Lúcifer insistia em que eles deveriam obedecer unicamente sua consciência. Pensava que Deus o tratara de maneira injusta ao conceder honra suprema a Cristo. Lúcifer alegava não pretender a exaltação própria, e sim liberdade para todos os habitantes do Céu, a fim de que pudessem alcançar condição mais elevada de existência. Deus tolerou Lúcifer durante muito tempo. Não foi rebaixado de sua posição elevada, nem mesmo quando começou a apresentar suas pretensões diante dos anjos. Inúmeras vezes lhe foi oferecido o perdão, com a condição de que se arrependesse e abandonasse seu orgulho. Esforços, que apenas o amor e a sabedoria infinitos poderiam conceber, foram feitos para convencê-lo de seu erro. O descontentamento nunca antes havia sido conhecido no Céu. Inicialmente, nem o próprio Lúcifer compreendeu a verdadeira natureza de seus sentimentos. Depois de ser mostrado a ele que sua insatisfação era sem motivo, convenceu-se de que as reivindicações divinas eram justas e de que deveria reconhecer esse fato diante de todos os habitantes do Céu. Se Lúcifer tivesse feito isso, poderia ter salvo a si mesmo e a muitos anjos. Caso houvesse desejado voltar a Deus, satisfeito por ocupar o lugar a ele designado, teria sido reintegrado em seu cargo. Mas o orgulho o impediu de submeter-se. Continuou a pensar que não necessitava se arrepender, e entregou-se por completo ao grande conflito contra o Criador. Todas as habilidades de sua mente brilhante foram então dedicadas ao engano, a fim de conseguir a simpatia dos anjos. Satanás simulou haver sido julgado de forma errada, e disse que os demais desejavam privá-lo de sua liberdade. Depois de interpretar de maneira equivocada as palavras de Cristo, passou à falsidade aberta, acusando o Filho de Deus de tentar humilhá-lo diante dos habitantes do Céu. Inúmeras vezes lhe foi oferecido o perdão, com a condição de que se arrependesse e abandonasse seu orgulho. A todos aqueles que Lúcifer não pôde corromper e levar para o seu lado, ele acusou de ser indiferentes aos interesses dos seres celestiais. Representou com falsidade o Criador. Era sua tática deixar os anjos perplexos ao utilizar argumentos enganosos a respeito dos propósitos divinos. Tudo o que era simples ele envolvia em mistério, e por meio de astuta perversão lançava dúvida às mais claras afirmações de Deus. Seu elevado cargo dava maior força às alegações. Muitos foram induzidos a se unir a ele na rebelião. A desafeição torna-se aberta revolta – Deus, em Sua sabedoria, permitiu a Satanás continuar sua obra, até que a atitude de desafeição amadurecesse e se tornasse uma visível revolta. Era necessário que seus planos fossem completamente desenvolvidos, para que seu verdadeiro caráter fosse visto por todos. Lúcifer era grandemente amado pelos seres celestiais, e sua influência sobre eles era forte. O governo de Deus incluía não somente os habitantes do Céu, mas de todos os planetas que Ele havia criado. Por isso, Satanás pensou que, se pudesse levar à rebelião os anjos do Céu, poderia também levar outros mundos. Utilizando sofismas e mentiras, ele tinha grande poder para enganar. Mesmo os anjos fiéis não podiam discernir perfeitamente seu caráter ou ver quais seriam as consequências daquilo. Satanás havia sido tão honrado, e todos os seus atos eram tão misteriosos, que era difícil aos anjos desvendar a verdadeira natureza de suas ações. Antes que tivesse um desenvolvimento completo, o pecado não pareceria o mal que em realidade era. Seres santos não eram capazes de perceber as consequências de desprezar a lei divina. Inicialmente, Satanás havia alegado estar promovendo a honra de Deus e o bem de todos os habitantes do Céu. Ao lidar com o pecado, Deus poderia utilizar somente a justiça e a verdade. Satanás podia fazer uso daquilo que Deus não usaria: lisonja e engano. O verdadeiro caráter do usurpador deveria ser compreendido por todos. Seria necessário tempo para que ele mostrasse quem realmente é através de suas más ações. Satanás atribuiu a Deus a discórdia que o seu próprio procedimento havia causado no Céu. Ele declarou que todo o mal era provocado pela maneira como Deus administrava o Céu. Por isso, era necessário que Satanás demonstrasse suas verdadeiras pretensões, ao revelar as consequências das mudanças propostas na lei de Deus. Suas próprias ações deveriam condená-lo. Todo o Universo deveria ver o enganador desmascarado. Mesmo quando foi decidido que Satanás não poderia mais permanecer no Céu, a Sabedoria infinita não o destruiu. A submissão das criaturas de Deus deve ser motivada pela convicção a respeito de Sua justiça. Os habitantes do Céu e de outros mundos, estando despreparados para compreender as consequências do pecado, não perceberiam a justiça e a misericórdia de Deus caso Ele destruísse Satanás. Se este fosse destruído imediatamente, os outros teriam servido a Deus por medo em vez de amor. A influência do enganador não teria sido completamente extinta, e nem eliminada a atitude de rebelião. Para o bem do Universo através das futuras eras, Satanás deveria desenvolver plenamente suas intenções, para que todos os seres criados pudessem perceber corretamente as acusações dele contra o governo divino. A rebelião de Satanás deveria ser para o Universo um testemunho a respeito dos terríveis resultados do pecado. Seu governo mostraria quais os frutos de se rejeitar a autoridade divina. A história dessa terrível experiência de rebelião deveria ser um meio de proteção permanente a todas as criaturas, livrando-as de cometer pecado e sofrer o castigo por ele. Quando foi anunciado que, juntamente com todos os simpatizantes de Satanás, ele deveria ser expulso das habitações celestiais, o líder dos rebeldes confessou ousadamente seu desprezo pela lei do Criador. Denunciou os estatutos divinos como restrição à sua liberdade e declarou que seu objetivo era conseguir a abolição dessa lei. Livres dessa restrição, os anjos poderiam alcançar condição de existência mais elevada. Banidos do Céu – Satanás e suas hostes lançaram a culpa de sua rebelião sobre Cristo. Afirmaram que, se não houvessem sido censurados, não teriam se rebelado. Eram obstinados e arrogantes, ao mesmo tempo que, blasfemando, pretendiam ser vítimas inocentes do poder opressor. Em resultado disso, o grande rebelde e seus seguidores foram banidos do Céu (veja Apocalipse 12:7-9). A atitude de Satanás ainda inspira a rebelião na Terra, entre os desobedientes. Assim como ele, muitos pretendem que os seres humanos alcançam liberdade ao transgredir a lei de Deus. A reprovação ao pecado ainda desperta ódio. Satanás leva as pessoas a justificar-se e a procurar o apoio de outros em seu pecado. Em vez de corrigirem seus erros, indignam-se contra aquele que aponta os erros, como se fosse ele a causa do problema. Assim como, no Céu, Satanás representou de maneira distorcida o caráter de Deus, fazendo com que Ele fosse considerado severo e tirano, Satanás induziu a humanidade a pecar. Declarou que as injustas restrições de Deus haviam levado o ser humano à queda, assim como determinaram sua própria rebelião. Banindo Satanás do Céu, Deus demonstrou Sua justiça e honra. Entretanto, quando o ser humano pecou, Deus ofereceu uma prova de amor, entregando Seu Filho para morrer pela raça pecadora. Em Cristo, o caráter de Deus é revelado. O poderoso argumento da cruz demonstrou que o governo de Deus não era a causa do pecado. Durante a vida terrestre do Salvador, o grande enganador foi desmascarado. Sua pretensão, ousada e blasfema, de que Cristo deveria adorá-lo (veja Mateus 4:8-10), a contínua maldade que atacava Jesus de um lugar a outro, inspirando o coração de sacerdotes e povo a rejeitar Seu amor, e o brado: “Crucifica-O! Crucifica-O!” – tudo isso despertou o assombro e a indignação do Universo. O príncipe do mal exerceu todo o seu poder e engano para destruir Jesus. Satanás utilizou seres humanos como seus agentes, a fim de encher de sofrimento e tristeza a vida do Salvador. Os fogos da inveja e maldade, ódio e vingança, irromperam na cruz contra o Filho de Deus. Na cruz, a culpa de Satanás foi claramente apresentada. Ele revelou seu verdadeiro caráter. Suas mentirosas acusações contra o caráter de Deus apareceram como realmente são. Ele havia acusado a Deus de exaltar a Si mesmo ao requerer obediência de Suas criaturas, e declarara que, embora o Criador exigisse abnegação de todos os outros, Ele próprio não a praticava e não fazia sacrifício algum. Na morte de Cristo, foi visto que o Governante do Universo havia realizado o máximo sacrifício que o amor poderia efetuar, pois “Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19). Cristo, a fim de destruir o pecado, humilhou-Se e foi obediente até a morte. Em favor do ser humano – Todo o Céu viu a justiça de Deus revelada. Lúcifer havia declarado que a raça pecadora estava além da possibilidade de salvação. Mas a penalidade da lei recaiu sobre Jesus, que era igual a Deus, permitindo ao ser humano aceitar a salvação e, através de arrependimento e humildade, triunfar sobre o poder de Satanás. Mas não foi meramente para salvar o ser humano que Cristo veio à Terra e aqui morreu. Ele veio para demonstrar a todos os mundos que a lei de Deus é imutável. A morte de Cristo prova que ela não pode ser modificada e demonstra que a justiça e a misericórdia são o fundamento do governo de Deus. Na execução final do juízo, será visto que não existe motivo para o pecado. Quando o Juiz de toda a Terra perguntar a Satanás: “Por que você se rebelou contra Mim?”, o originador do mal não poderá apresentar resposta alguma. No grito agonizante do Salvador na cruz – “Está consumado!” – soou a sentença de morte de Satanás. O grande conflito foi resolvido naquele momento, a eliminação definitiva do mal se tornou certa. “Vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles, diz o Senhor dos Exércitos. Não sobrará raiz ou galho algum” (Malaquias 4:1). Deus ofereceu uma prova de Seu amor, entregando Seu Filho para morrer pela raça pecadora. O mal jamais se manifestará outra vez. A lei de Deus será honrada como a lei da liberdade. Criaturas provadas nunca mais se desviarão da fidelidade Àquele cujo caráter foi manifestado como expressão de amor ilimitado e infinita sabedoria.

2012 – Fim do Mundo?


Esta história de filmes de ficção científica que passam a ser tratados como se fossem realidade, já passou dos limites. A gente nem bem se recuperou da ressaca que foi ficar respondendo a milhares de pessoas que os próprios criadores do filme “O Código da Vincci” o reconheciam como ficção, e já estamos novamente às voltas com pessoas desesperadas, telefonando até mesmo para a NASA, para saber se o mundo vai terminar em 21 de Dezembro de 2012.

Mais uma vez estamos aceitando ser tratados por Hollywood como “consumidores” e estamos digerindo com nosso cérebro mais uma de suas obras nefastas.

O filme “2012”, que não tem nenhuma base científica, e nem foi exibido ainda, já está alcançando seu “objetivo”. E, qual é mesmo o seu objetivo? Bem, ele já movimenta milhões de dólares em cima de um dos temas mais assustadores para a raça humana: A data do FIM DO MUNDO. Por causa dele, já são centenas de documentários de TV, camisetas, acessórios, artigos em revistas e jornais, discussões religiosas e filosóficas. Tudo girando em torno de uma filosofia tão conturbada e misturada, que até mesmo os Maias, se estivessem vivos hoje, duvidariam de sua veracidade.

Trata-se de uma mistura perigosa de profecias Maias, previsões de falsos profetas, filosofias Egípcias, e, para apimentar ainda mais a receita, uma pitada de distorções da Bíblia, a gosto de quem escreveu o reteiro. Logicamente que o “objetivo” não é esclarecer o assunto, mas fazer dinheiro.

Como se não bastasse tanta ignorância do assunto, por parte do povo em geral, no bojo de tanta “abobrinha filosofal”, aparece também outro tipo de ignorantes: os que pensam que estudaram o assunto e começam a emitir opiniões próprias. Um belo exemplo é o articulista André Petry, que teve seu enorme (e tendencioso) artigo publicado como capa de numa das revistas de maior circulação no pais, no início de Novembro.

Petry, que é um polido ridicularizador do tema do “ Fim do Mundo”, mostra-se avesso à religiosidade e apoia-se em sua pesquisa para levar seus leitores a, como ele, ridicularizarem, não o filme em si, mas quem leva o assunto do “Fim do Mundo” a sério.

Só que Petry se contradiz. Ele escorrega nas palavras.

É lógico que, para se acreditar no Fim, é preciso que se acredite em Deus, ou em algum tipo de Deus. OU seja, é preciso ser religioso. Ser, de certa forma, CRENTE, o que não é, nem de longe, o caso de Petry.

Descrente assumido, ao tentar explicar o porquê de as pessoas ainda procurarem informações sobre o fim do mundo em pleno século 21, Petry se perde, se contradiz ao afirmar coisas como: “Uma das explicações está no fato de que o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas, mesmo onde tudo é casual e fortuito.”[1]

Em primeiro lugar, se o cérebro foi programado, deve haver um programador, não é mesmo? E, quem seria este “programador”? Deus? O acaso? O caos?

Em segundo, se ele acredita mesmo no acaso, como, num mundo originado do caos, um cérebro, que teria surgido por acaso, poderia ser programado pelo acaso para extrair sentido do que, segundo ele mesmo, não faz sentido?

Desculpem-me! Mas acabei de parar pra pensar, e estou notando que meu artigo pode estar estar parecendo ofensivo demais! Talvez eu esteja fazendo exatamente como o articulista a quem critiquei e esteja caindo no mesmo erro de criticar os outros e não contribuir com nada útil. Mais uma vez, me desculpe! Antes de terminar, deixe com que eu me redima, escrevendo alguma coisa que realmente contribua para o seu conhecimento do assunto.

Vamos por outra linha de raciocínio! Vamos pensar: E se Deus existir mesmo?

Se Deus existe:

Então tudo teve um PRINCÍPIO.
Nada veio do ACASO, mas do Planejamento de Deus.
Então Petry, a quem eu só critiquei até agora, está certo ao afirmar que “o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo”. Sim, porque num mundo planejado por Deus, o cérebro perfeito, criado por Ele, sempre buscará a perfeição, e nunca se acostumará ao CAOS que hoje impera no mundo!
Se Deus existe, o mundo foi criado PERFEITO e precisa voltar à perfeição.
Se Deus existe, então Jesus veio a este mundo, morreu por quem o aceita. Ele ressuscitou, foi levado ao Céu e voltará para buscar aqueles que acreditam nele.
Se Jesus voltará para buscar os Seus, então não existe o FIM DO MUNDO, mas O INÍCIO DE UM NOVO MUNDO, depende apenas “de que lado você está”.
Enfim, O FIM DO MUNDO só existe para quem não acredita que Deus existe.

Há uns meses li na Bíblia um texto que me chamou muito a atenção. Está em II Pedro 3: 2 em diante:

“tendo em conta, antes de tudo, que nos últimos dias, virão escarnecedores com seus escárnios… e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Por que, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio… Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrario, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, Senão que todos cheguem ao arrepenimento.”

Como eu tenho certeza de que eu não preciso dizer mais nada, vou terminar deixando apenas com que a Bíblia termine de dizer o que falta. Ela vai apenas confirmar que, para quem está com Deus, não existe O FIM DO MUNDO, mas o NASCER DE UM NOVO MUNDO: “Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos céus e nova Terra, nos quais habita justiça.” II Pedro 3: 13

Pr.Fernando Iglesias

Escrever na rocha


Dois grandes mercadores árabes, de nomes Amir e Farid, eram muito amigos e sempre que faziam suas viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias, iam juntos, cada qual com sua caravana e seus escravos empregados.

Numa dessas viagens, ao passarem junto a um rio caudaloso, Farid resolveu banhar-se, pois fazia muito calor. Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela correnteza.

Amir, vendo que seu grande amigo corria risco de vida, atirou-se às águas e, com inaudito esforço, conseguiu salvá-lo.

Após esse episódio, Farid chamou um de seus escravos e mandou que ele gravasse numa rocha ali existente, uma frase que lembrasse a todos do acontecido.

Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para um rápido repouso.

Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir
alterando-se esbofeteou Farid.

Este aproximou-se das margens do rio e, com uma varinha, escreveu na areia o fato.

O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento de Farid, perguntou-lhe:

- Meu senhor, quando fostes salvo, mandaste gravar aquele feito numa pedra e agora escreveis na areia o agravo recebido. Por que assim o fazeis?

Farid respondeu-lhe:

- Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha para que todos aqueles que tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles, procurem imitá-los. Ao contrário, porém, quando recebemos uma ofensa, devemos escrevê-la na areia, próxima as águas para que desapareça, levada pela maré, a fim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo para que qualquer mágoa desapareça prontamente no nosso coração !

Vida por Vidas




Há cinco anos, o Projeto Vida por Vidas tem promovido ações de estímulo aos jovens e adultos para que sejam doadores regulares de sangue. Em 2011, o projeto quer ampliar a sua atuação dando ênfase, também, na doação de medula óssea, ato que pode garantir a vida para pacientes com leucemia, anemia falciforme, entre outras doenças.

O projeto começou em 2005, no Rio Grande do Sul, com a ideia de comparar o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, comemorado na Páscoa pelos cristãos, doando vida à humanidade, ao ato de doar sangue, salvando vidas; mobilizando assim a sociedade para esta grande ação social.

Em 2006, durante as comemorações do Dia Mundial do Doador Voluntário, em Washington, nos Estados Unidos, o Projeto Vida por Vidas foi homenageado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como “Campanha de destaque da Organização Pan-Americana da Saúde”.

Além da Páscoa, outras datas passaram a fazer parte do calendário da campanha, como o Dia Mundial do Doador de Sangue (14 de junho), e o Dia do Jovem Adventista (19 de setembro).

O Projeto Vida por Vidas é coordenado pelos jovens da Igreja Adventistas do Sétimo Dia, e desde 2006 faz parte do calendário de atividades oficiais da Igreja em toda a América do Sul.

Projeto Vidas por Vidas alcançou êxito e credibilidade. E através de seu cadastro temos sido acionados, para atender necessidades emergenciais.

É através de novas iniciativas dos próprios Jovens Adventistas, que contribuem como respaldo para que o projeto amplie o seu incentivo aos doadores.

O projeto é notícia em várias regiões do Brasil e também da américa do sul. No site oficial você encontra as principais notícias do projeto: http://www.vidaporvidas.com/cat/noticias/ e para acompanhar as últimas notícias do projeto que saíram na mídia, você pode pesquisar no Google Notícias.

Medo de dizer te amo

Um cientista coloca um ratinho numa gaiola. No início, ele ficará passeando de um lado para outro, movido pela curiosidade. Quando sentir fome, irá na direção ao alimento. Ao tocar no prato, no qual o pesquisador instalou um circuito elétrico, o ratinho levará um choque forte, tão forte que, se não desistir de tocá-lo, poderá até morrer.

Depois do choque, o ratinho correrá na direção oposta ao prato. Se pudéssemos perguntar-lhe se tem fome, certamente responderia que não, porque a dor provocada pelo choque faz com que despreze o alimento. Depois de algum tempo, porém, o ratinho entrará em contato com a dupla possibilidade da morte: a morte pelo choque ou pela fome.

Quando a fome se tornar insuportável, o ratinho, vagarosamente, irá de novo em direção ao prato. Nesse meio tempo, no entanto, o pesquisador desligou o circuito e o prato não está mais eletrificado. Porém, ao chegar quase a tocá-lo, o medo ficou tão grande que o ratinho terá a sensação de que levou um segundo choque. Haverá taquicardia, seus pelos se eriçarão e ele correrá novamente em direção oposta ao prato. Se lhe perguntássemos o que aconteceu, a resposta seria: "Levei outro choque". Esqueceram de avisá-lo que a energia elétrica estava desligada!

A partir desse momento, o ratinho vai entrando numa tensão muito grande. Seu objetivo, agora, é encontrar uma posição intermediária entre o ponto da fome e o do alimento que lhe dê uma certa tranqüilidade. Qualquer estímulo súbito, diferente, que ocorrer por perto, como barulho, luminosidade ou algo que mude o ambiente, levará o ratinho a uma reação de fuga em direção ao lado oposto do prato.
É importante observar que ele nunca corre em direção à comida, que é do que ele realmente precisa para sobreviver. Se o pesquisador empurrar o rato em direção ao prato, ele poderá morrer em conseqüência de uma parada cardíaca, motivada pelo excesso de adrenalina, causado pelo medo de que o choque primitivo se repita.

É provável que você esteja se perguntando: "Muito bem, mas o que isso tem a ver com o medo de amar?". Tem tudo a ver. Muitas vezes, vemos pessoas tomando choques sem sequer tocar no prato. Quantas vezes, esta semana, você teve vontade de convidar alguém para sair, para conversar, para ir à praia ou ao cinema, e não o fez, temendo que a pessoa pudesse não ter tempo ou não gostasse de sua companhia e, desse modo, acabou sentindo-se rejeitado sem ao menos ter tentado? Quantas vezes você se apaixonou sem que o outro jamais soubesse do seu amor? Quantas vezes você abandonou alguém, com medo de ser abandonado antes? Quantas vezes você sofreu sozinho, com medo de pedir ajuda e ficar "dependente" de alguém? Quantas vezes você se afastou de um grande amor, com medo de se comprometer? Quantas vezes você não se entregou ao amor por medo de perder o controle de sua "liberdade"? Quantas vezes você deixou de viver um grande amor com medo de sofrer de novo... Quantas vezes você tomou um choque sem tocar no prato?

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