Finalmente, após anos de debates às vezes calorosos, uma publicação
nova aborda as dúvidas sobre o que a Bíblia ensina sobre o uso de jóias.
O Dr. Angel Manuel Rodriguez, colunista da Adventist Review e diretor associado do Instituto de Pesquisas Bíblicas da
Conferência Geral, colocou em palavras uma visão do assunto, sob o
ponto de vista bíblico, livre de sentimentos e depois de muito
pesquisar. Em 125 páginas, O USO DE JÓIAS NA BÍBLIA explora as implicações de como a Bíblia lida com essa questão e como isso se relaciona com a vida cristã. http://www.cpb.com.br/produto-175-o+uso+de+joias+na+biblia.html
queles que acreditam na Bíblia como norma de fé e prática, estão
dispostos a compreender como seus ensinamentos sobre o uso de jóias
afetam a vida cristã de cada um. Reconhecemos que as pessoas são muito
sensíveis no que diz respeito a regras sobre o que usar ou não usar, mas
a questão neste caso é definida pela autoridade da Bíblia em nossas
vidas. Os adventistas se dizem sempre dispostos a submeterem-se à
vontade de Deus expressa nas escrituras, e por esta razão nos sentimos à
vontade para explorar as implicações dos ensinos bíblicos sobre jóias
para nós hoje. Interessante que este assunto não é tão complexo como
muitos acreditam, uma vez que entendemos o ponto de vista bíblico sobre o
assunto. Então, vamos explorar algumas das implicações.
A. ALGUMAS IMPLICAÇÕES
1. Posição Adventista sobre o uso de jóias e a Bíblia
A posição adventista concernente ao uso de jóias rejeita o uso das
jóias ornamentais e aceita que existam jóias funcionais, e que o uso
destas não necessariamente viola o padrão. Como visto acima, isto é o
que a Bíblia declara com respeito ao uso de jóias. É verdade que para
algumas pessoas é difícil aceitar o conceito de que as jóias hoje podem
ter funções diferentes, mas elas, mesmo no mundo ocidental servem para
várias utilidades. Jóias religiosas são comuns entre os integrantes do
movimento Nova Era e também entre cristãos ( o crucifixo, entre os
católicos); e o interesse no ocultismo tem trazido o uso de jóias para
proteção. Em alguns países as jóias indicam a posição social de
responsabilidade de reis, rainhas e chefes tribais. É claro que a jóia
funcional mais conhecida é a aliança matrimonial, usada como símbolo de
amor e comprometimento entre o casal. Entretanto, na maioria dos casos a
função principal das jóias hoje, parece ser ornamental. É este aspecto
ornamental que a igreja, de acordo com as escrituras, tem rejeitado e
tido como inapropriado para os cristãos.
Jóias ornamentais usualmente, mas não exclusivamente, se encontram na
forma de brincos, anéis, anéis de nariz, pulseiras, colares e pulseiras
de tornozelo, e são usadas para sofisticar a aparência do indivíduo. De
uma certa maneira esta é a definição implícita de jóias ornamentais que
encontramos no “Action on Display and Adornment” feita durante o
Concílio Anual da Conferência Geral em 1972. Diz: “Adereços pessoais,
colares, brincos, pulseiras e anéis ornamentais não devem se usados.”
1
2. USO RESTRITO DE JÓIAS FUNCIONAIS
|
Sem dúvida esta é a área que tende a criar confusão nas
mentes de alguns adventistas que preferem ter todos os tipos de jóias
como sendo do mau, ou entre aqueles que preferem rejeitar o padrão, mas
preservar o princípio por trás dele. Permitindo o uso limitado de jóias
funcionais, a igreja está seguindo a posição bíblica. A questão com a
qual se depara consiste em definir o que é jóia funcional, e a partir de
que ponto esta passa a ser ornamental. |
Partindo-se do princípio de que a maioria das sociedades tem um
entendimento cultural do que vem a ser jóia funcional, não será difícil
identifica-las. O que cada um precisa perguntar é: Qual é o objetivo
desta peça em minha cultura? Se não se conseguir descobrir o objetivo,
este é provavelmente ornamental. No mundo ocidental as jóias funcionais
são fáceis de se identificar, porque suas funções são intrínsecas a suas
possibilidades de marketing e satisfazem a necessidades específicas na
vida do indivíduo. Por exemplo, o relógio foi feito com o objetivo
expresso de nos informar as horas; uma aliança de casamento já é vendida
como aliança de casamento; e abotoaduras são manufaturadas para unir os
punhos da camisa. O broche pode ser um ornamento funcional se for usado
para manter unidas duas ou mais peças de roupa.
Obviamente, uma jóia funcional pode ser feita de maneira que sua
função ornamental sobrepuje qualquer outro objetivo.Neste caso ela deve
ser considerada inapropriada para um cristão. Sobre que base isto deve
ser decidido? A solução que o texto bíblico sugere é o uso de princípios
bíblicos para determinar o que é e o que não é apropriado como adereços
pessoais. Provavelmente poderiam ser identificados vários princípios,
mas a igreja aponta os três mais importantes: simplicidade, modéstia e
economia. Jóias funcionais devem ser avaliadas com base nestes três
princípios.
“
Simplicidade”, apesar de não ser um termo muito comum na
Bíblia, é considerada uma importante virtude cristã. No novo testamento o
termo grego haplotes parece ser o mais importante usado para expressar
conceitos de simplicidade, singeleza e sinceridade.
2 A
utilização deste termo na tradução grega do velho testamento e no novo
testamento indica que simplicidade consiste em compromisso indivisível a
um único objetivo, o serviço de Deus. É caracterizado pela ausência de
comportamento ambíguo ou duplo (2 cor 11:3; Mat 6:22). Na verdade “Ao
contrário de pessoas duplas, aqueles que dividem o coração, aqueles que
são simples, não tem outra preocupação que não seja fazer a vontade de
Deus e observar Seus preceitos; sua existência é uma expressão de
compaixão e retidão”.
3
| A simplicidade, sendo um total dar-se a si mesmo ao Senhor e à Sua
vontade, está expressa na maneira como agimos e como nos adornamos.
Jóias funcionais devem revelar que o centro de nossas vidas está na
nossa aliança com o Senhor e não em nossa própria ostentação. Um coração
não dividido mostrará sua total lealdade ao Salvador através de um
estilo de vida dedicado ao Seu serviço e ao próximo. O princípio da
simplicidade na escolha de jóias funcionais, então, significa que estas
peças devem testificar que vivemos uma vida irrepreensível e
despretensiosa, exclusivamente orientada para nosso Salvador e Senhor.
Isto é sem dúvida a singeleza de um coração simples. 4 |
|
A palavra “modéstia” é usada por Paulo em sua discussão a
respeito de adereços próprios aos cristãos (1Tim 2:9), e significa o
respeito próprio determinado por uma vida que agrada ao Senhor.
Conseqüentemente leva a evitar excessos ou extremos e reconhece e aceita
os limites do que é propício. O que é propício não é simplesmente o que
a sociedade estabeleceu, mas basicamente o que foi especificado nas
instruções dadas pelos apóstolos para a comunidade dos crentes.Quando as
instruções dadas aos cristãos coincidem com os valores da sociedade, a
igreja é beneficiada, pois seus valores não entrarão em conflito com os
valores dos não crentes. Em resumo, jóias funcionais modestas evitam
chamar a atenção para o eu, e são leais aos parâmetros cristãos do que é
propício.
O termo
“economia” é difícil de ser definido, porque é
diferente para cada pessoa. O que custa barato pode, em longo prazo se
tornar caro e o que custa caro pode ser mais econômico. Nos textos
bíblicos referentes a jóias, o princípio da economia não é enfatizado.
Entretanto, a Bíblia nos orienta diligentemente sobre a mordomia
concernente a nossos recursos financeiros e sobre como temos que dar
conta deles a Deus.
5 No caso de jóias funcionais “economia
“provavelmente significa que a partir do momento em que jóias caras
geralmente tendem a ser para ostentação, temos que evitar compra-las, e
que investir grandes somas de dinheiro no que é, sob ponto de vista
bíblico, de pequeno valor para a vida cristã, viola nossa
responsabilidade de mordomos do Senhor.
3. SÍMBOLO DE STATUS SOCIAL
Usar jóias como símbolo de status social e poder é em poucos casos
tolerado na Bíblia, e em outros casos, reprovado. Este fenômeno deve nos
alertar a sermos cuidadosos ao lidarmos com esta função particular das
jóias na igreja. Aqui nos deparamos com uma situação na qual a prática
cultural ao redor do mundo tem grande influência no que for decidido
pela igreja. Por exemplo, oficiais militares usualmente expõem insígnias
e medalhas que identificam suas patentes e atos de bravura. Esta é uma
prática cultural bem aceita e a igreja pode considerar este tipo de jóia
como funcional. Outro exemplo: o anel de formatura parece apenas servir
para mostrar nossa superioridade sobre outros que, por inúmeras razões,
não alcançaram o mesmo que nós, academicamente. É esta uma jóia
funcional propícia? Provavelmente não. Mas talvez, o princípio que nos
governa seja que qualquer atitude, símbolo ou ação que introduza
distinções sociais desnecessárias entre os cristãos deve ser avaliada
cuidadosamente e sempre que possível deposta aos pés da cruz de Cristo,
onde há igualdade de pecados e de graça. A ênfase deve ser colocada no
que une e não no que separa.
4. PRINCÍPIOS VERSUS PADRÕES
Os padrões a respeito das jóias (rejeição de jóias ornamentais; uso
restrito de jóias funcionais) e os princípios que as regulam
(simplicidade, modéstia e economia), tem relevância permanente no tempo e
na cultura. Estes princípios podem e devem ser usados para determinar o
que é apropriado com respeito ao uso de jóias funcionais. Neste caso
particular, a igreja não deve fazer listas do que é ou não apropriado,
mas deve guiar e permitir aos seus membros, sob a direção do Espírito
Santo, a aplicar os princípios bíblicos a cada diferente cultura. Temos
que reconhecer que há determinadas áreas na vida cristã em que o
indivíduo deve decidir o que fazer, particularmente com seu Deus. Isto é
na verdade um sinal de maturidade espiritual. É possível e até provável
que muitos usarão erroneamente esta liberdade, mas isto não é desculpa
para negar a liberdade dada a nós pela própria Bíblia.
B. PERIGOS ASSOCIADOS AOS PADRÕES SOBRE JÓIAS
| Qualquer padrão pode ser mal interpretado ou mal aplicado, perdendo
seu objetivo de contribuir para o bem estar do cristão. O padrão bíblico
sobre jóias não é exceção. Exploraremos agora alguns perigos que
encontraremos ao enfatizarmos a aceitação do padrão cristão a respeito
das jóias, e daremos algumas sugestões a respeito de como lidar com eles
em nossas vidas. |
|
1. PECADO E O USO DE JÓIAS
Não há dúvidas de que de acordo com a Bíblia pecado é muito mais do
que uma ação que vem a prejudicar o próprio indivíduo ou a outros.
Pecado é a condição sob a qual existimos; ele corrompeu nossa natureza a
tal ponto que o que quer que façamos precisa ser mediado através de
Cristo para ser aceito por Deus. Nenhuma de nossas ações seja “boa” ou
“má” está livre da mancha do pecado. Podemos dizer que o pecado precede
as ações pecaminosas. Este estado pecaminoso em que existimos não será
erradicado até aquela gloriosa manifestação de segunda vinda de Jesus.
Enquanto isso, o Espírito de Deus trabalha em nossos corações, não
permitindo que nossa natureza de pecado tome as rédeas de nosso ser e
nos leve a um comportamento pecaminoso. O domínio do pecado sobre nós é
intensificado e fortificado através de nossos atos pecaminosos. Não
seria banalizar o pecado defini-lo como atos cometidos contra a vontade
de Deus que nos prejudicam e, em muitos casos, a outros. Pecado é matar
alguém, roubar e trabalhar durante as horas do sábado, porque nestes
atos pecaminosos está implícito o domínio que o pecado tem sobre nós.
Superar estes atos de pecado significa vencer o pecado como ação e
também como estado. Esta é a vitória que o Senhor deseja para nós.
O fato de que o padrão a respeito das jóias envolve atitudes exteriores não banaliza o pecado
6,
ao contrário, nos informa como o Espírito pode limitar o poder, domínio
e incrustação do pecado em nossas vidas. Pode se dizer que a obediência
específica aos mandamentos de Deus é proclamar a soberania Dele em
nossas vidas. Isto obviamente não significa que nossa natureza está para
sempre livre do pecado; mas sim que estamos aguardando com alegria o
dia em que isso acontecerá.
2. LEGALISMO E JÓIAS
O perigo mais ameaçador que os que valorizam a obediência à lei de
Deus e aos ensinamentos bíblicos têm que enfrentar é o legalismo. Este
distorce a obediência criando uma religião monstruosa que destrói a
essência da mensagem cristã de salvação exclusivamente em Cristo, e
neste processo cultiva o orgulho no indivíduo. Esta ameaça é encontrada
não só pelos que aceitam o padrão bíblico sobre as jóias, mas também por
qualquer um que procura obedecer ao Senhor. No caso das jóias, uma
remoção
legalista das jóias ornamentais e o uso das jóias
funcionais simples, modestas e econômicas, destroem os intentos do
padrão, porque ao invés da humildade e do negar-se a si mesmo, vem o
egoísmo e o orgulho.
O legalismo vem sempre acompanhado da crítica. No caso do uso das
jóias, aqueles que aceitam o padrão bíblico, podem ser tentados a se
sentirem superiores àqueles que ainda têm dúvidas a respeito.
Obviamente, isto também se aplica à observância do sábado, devolução dos
dízimos ou trabalho missionário. Então, não se trata simplesmente de
jóias, mas da fraqueza do coração humano, que às vezes transforma o que
seria obediência a Deus em orgulho e exaltação própria. É necessário
estar ciente do fato de que a obediência genuína é uma humilde expressão
de gratidão ao nosso Salvador e Senhor pelo que fez por nós na cruz.
Nossa obediência é uma oferta de amor a Deus e Ele não espera que
comparemos o que ofertamos a Ele com o que outros estão ofertando.Quando
tentamos ajudar a outros na vida cristã, temos que mostrar amor e não
condenação e rejeição.
3. PRINCÍPIOS, JÓIAS, CASAS, CARROS?
Não há dúvida de que os princípios de simplicidade, modéstia e
economia se estendem além da esfera de adereços e vestimenta pessoal.
Devemos procurar aplica-los na maior abrangência possível em toda a
dimensão da nossa caminhada com Deus. Talvez, por vezes a igreja tenha,
não intencionalmente, tido a tendência de aplica-los somente na área de
adereços e vestimenta. Se este for o caso, o apelo à igreja é para que
expanda a aplicação desses princípios para vários outros aspectos da
vida cristã. Nesta tarefa, ela deve ter muito cuidado para não criar
novos padrões que irão colocar fardos nos ombros de seus membros.
Ninguém pode esperar que a igreja decida por seus membros qual é o
carro modesto e econômico, a casa modesta ou o relógio simples. Nesta
área a igreja deverá apenas ensinar os princípios cristãos e confiar que
seus membros os usarão sabiamente ao tomarem suas decisões diárias. A
pergunta óbvia é: Por que então não podemos fazer o mesmo em se tratando
de jóias ornamentais? A resposta é simples: A Bíblia nos mostra um
padrão específico a este respeito, conseqüentemente, a igreja tem que
ensina-lo. Nas áreas em que a Bíblia esclarece o assunto, não podemos
ignorar sua sabedoria, mas sim aproveita-la. No que concerne a outras
áreas, devemos deixar que o Espírito Santo trabalhe nos corações
daqueles que dizem viver uma vida que agrada a Deus.
4. GÊNERO E O USO DE JÓIAS
Tem havido uma tendência na igreja de ligar o assunto do uso de jóias
exclusivamente aos membros do sexo feminino. Isto é até certo ponto
compreensível, se levarmos em consideração o fato de que até
recentemente a maioria das jóias ornamentais no mundo ocidental eram
usadas principalmente por mulheres, e que algumas das passagens
bíblicas foram direcionadas especificamente para elas. Mas está claro
que o caso das jóias nos tempos bíblicos concerne a ambos os gêneros e
que hoje as jóias tem sido usadas tanto por homens quanto por mulheres.
Então não devemos lidar com este tópico como se fosse um problema
feminino, mas encara-lo como realmente é, um impasse humano.
C. CONCLUSÃO
O assunto sobre as jóias não deve desviar nossa atenção das boas
novas de salvação através da fé em Jesus. É no contexto do evangelho que
devemos ensinar os padrões bíblicos sobre as jóias; de outra forma
cairemos na armadilha do legalismo ou da crítica. Nestes ensinamentos
devemos mostrar claramente que jóias ornamentais devem ser rejeitadas,
mas as funcionais não. Às vezes pode se tornar difícil fazer a distinção
entre os 2 tipos, mas geralmente não é o caso.
As jóias funcionais podem ser facilmente identificadas na maioria das
culturas, então devemos permitir que a prática cultural nos informe. Em
outras palavras, jóias funcionais não são definidas por desejos
pessoais, mas por crenças e práticas culturais respeitáveis. A igreja
precisa reconhecer, por exemplo, que em algumas culturas o colar é usado
para indicar que a mulher que o está usando é casada; enquanto em
outras culturas ele é um simples adorno. Na primeira situação, o colar é
aceitável, mas na segunda deve ser rejeitado. Na escolha das jóias
funcionais os cristãos devem seguir os princípios bíblicos de
simplicidade, modéstia e economia.
Este apanhado sobre a questão das jóias está baseado no fato de que a
Bíblia combina um padrão específico (rejeição de jóias ornamentais e
uso restrito de jóias funcionais) com uma série de princípios a serem
utilizados na escolha das jóias funcionais. Para que a igreja permaneça
fiel às escrituras é necessário que ambos sejam ensinados.